Escravos da pornografia: Um negócio que movimenta grandes quantidades de dinheiro e prejudica a alma e a psique das pessoas, causando dependência (Aleteia)

Escravos da pornografia: Um negócio que movimenta grandes quantidades de dinheiro e prejudica a alma e a psique das pessoas, causando dependência

Dezenas de estudos de cientistas sociais mostram como o mapa mundial da pornografia – sua produção e consumo – cresceu desde a criação da internet. Suas causas, lucros bilionários e consequências sobre a vida das pessoas e sociedades mostram a urgência de abordar esta realidade de forma multissetorial.

Esta é a conclusão do mais recente estudo sobre o tema (“Os adolescentes e jovens que consomem pornografia são mais propensos a cometer violência sexual”), publicado em 7 de outubro pela revista Jama Pediatrics.

Cerca de 10% dos jovens menores de 21 anos entrevistados reconheceram ter abusado sexualmente de outras pessoas pelo menos uma vez na vida. Tal conduta está diretamente relacionada ao consumo habitual de pornografia.

“A violência sexual potencializada pela pornografia e seu consumo causa mais de um milhão de vítimas por ano, com um custo total de 127 milhões de dólares. Por isso, é urgente controlar o consumo de pornografia mediante políticas públicas e programas educativos de prevenção”, afirmam os pesquisadores.

O Departamento de Psiquiatria da Pontifícia Universidade Católica do Chile identifica o consumo de pornografia como um comportamento em direta relação com a adição ao sexo. “As pessoas com este transtorno – afirmam os especialistas – têm problemas laborais, familiares, econômicos e sociais devido à sua adição, já que seu comportamento sexual os obriga a frequentar prostíbulos, comprar artigos pornográficos, manter relações sexuais com desconhecidos, inclusive sem proteção, fazendo que sua vida gire ao redor do sexo, sem sentir, na maioria das vezes, nenhum tipo de prazer, mas sentimentos de culpa e sofrimento.”

Da mesma forma, o psiquiatra Enrique Rojas denuncia, na revista Humanitas (n. 10), que as estatísticas mostram que hoje existe “uma verdadeira idolatria ao sexo. Já se instalou no coração da nossa sociedade o sexo a todo momento, impulsionado pela pornografia e seus derivados. Coisificação degradante do sexo. Com uma nota sui generis: banalizam o sexo e ao mesmo tempo o convertem em religião”.

Para o pesquisador William M. Struthers, especialista em neurologia e biopsicologia pela Universidade de Illinois, conhecer como opera a rede de conexões e reações a estímulos do cérebro permite entender por que a exposição à pornografia gera adição e permanência no tempo, com um dano não apenas sociológico e psicológico, mas também espiritual.

Em seu livro “Wired for Intimacy: How Pornography Hijacks the Male Brain”, o profissional identifica alguns aspectos, para mostrar o que ocorre no cérebro de quem consome pornografia.

O material sexualmente explícito desencadeia a ativação de um efeito espelho em alguns neurônios do cérebro. Tais neurônios – que participam do processo de imitação de um comportamento – possuem também a capacidade de orientar o comportamento.

No caso da pornografia, este sistema de “neurônios espelho” desencadeia a excitação, o que conduz à tensão sexual e à necessidade de satisfazê-la. “A triste realidade é que, quando o expectador de pornografia age (em geral, masturbando-se), isso geral um condicionamento hormonal e neurológico que acaba atando a pessoa ao objeto no qual se centra”, afirma Struthers.

A hiperestimulação no cérebro dos circuitos neuronais de recompensa, como ocorre com o aumento induzido de dopamina provocado pela visualização de pornografia, cria dessensibilização.

Gary Wilson explica: “Quando os receptores de dopamina caem, por excesso de estimulação, o cérebro não responde tanto, e nos sentimos menos recompensados com o prazer. Isso nos impulsiona a buscar, inclusive sem medir consequências, essa sensação de satisfação – por exemplo, recorrendo a estímulos sexuais mais extremos, aumentando a duração ou quantidade de sessões de pornografia que vejo, até adormecer o cérebro”.

O perfil psicológico da nossa conduta e dos hábitos emocionais que consolidam nosso caráter sexual é construído com base nas decisões que tomamos, segundo Struthers. “Cada vez que a sequência de excitação e resposta é ativada, forma-se uma memória neurológica que influenciará nosso processamento e resposta futuros aos sinais sexuais. A forma como esta via é ativada e percorrida constituirá o caminho (mental) preferido a ser seguido regularmente. As consequências disso são de longo alcance”.

O que faz que a pornografia pela internet seja única?, pergunta-se Wilson, e identifica inúmeras razões, que incluem:

– A pornografia pela internet oferece novidade extrema;

– Ao contrário do que ocorre com a comida e as drogas, quase não há limites físicos para o consumo de pornografia pela internet;

– A pornografia pela internet permite manter em alta o estímulo, em dois sentidos: ter novos “companheiros” (atrizes/atores pornô), e ver gêneros novos e inusitados desta atividade;

– O impacto sobre o usuário – lembrando que o cérebro de um adolescente está no auge das suas possibilidades de produção de dopamina e neuroplasticidade, tornando-se altamente vulnerável à adição e ao condicionamento.

Nos homens que se expõem a material sexualmente explícito, existe uma correlação com a ansiedade social, depressão, baixa motivação, disfunção erétil, problemas de concentração e autopercepção negativa quanto à aparência e ao funcionamento sexual.

Struthers conclui que a pornografia altera a essência transcendente do ser humano. “Leva a sexualidade humana do seu pretendido propósito de participar na criação, aprofundando na intimidade saudável entre dois seres humanos, à sua degradação, como se fosse um produto a ser consumido.”

“Os seres humanos se tornam objetos de consumo, ao invés de indivíduos com dignidade; e, neste processo, as pessoas envolvidas em sua produção e consumo são prejudicadas. Este é um dano não só sociológico e psicológico, mas também espiritual”, completa.

sources: Portaluz

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