Mártires – grito contra o tráfico humano (atribunaMT)

Mártires – grito contra o tráfico humano

Com o objetivo de “fazer uma caminhada de fé, de oração, de penitência, de celebrar a memória dos Mártires em solidariedade das vítimas do Tráfico Humano” a Diocese de Rondonópolis realiza neste domingo, dia 6 de abril, a 23ª Romaria dos Mártires.

Esta iniciativa vai se constituindo como o maior evento católico da cidade de Rondonópolis. É caminhada iluminada pela Palavra de Deus como sujeito da história na defesa da dignidade da pessoa e grito contra o Tráfico Humano. Com os pés no chão, a emoção do coração, o grito contra o Tráfico Humano visualizado por encenações, gestos, símbolos, ritos e orações.

A Romaria acolhe o grito de solidariedade de todos os sofredores e mártires do mundo. São “milhões de seres humanos, como servos sofredores de Javé, como o Cristo Crucificado”, pois o “Tráfico Humano é crime que atenta contra a dignidade da pessoa, explora a vida, tolhe a liberdade, despreza a honra, ameaça e subtrai sua vida, seja mulher, criança, adolescente ou trabalhador”. Esse crime caracteriza-se pelo tráfico para exploração no trabalho, exploração sexual, extração de órgãos e o mais doloroso: tráfico de crianças e adolescentes.

A maioria das vítimas do tráfico humano encontra-se em situação de vulnerabilidade social. Essa realidade expõe as pessoas a trabalhos ou situações de sobrevivência, e este caminho, é muitas vezes a porta de entrada das vítimas da exploração e do tráfico.

Diante deste quadro não é suficiente combater o tráfico em si, mas é preciso recriar a sociedade, melhorar a educação, oferecer melhores condições de moradia, de transporte, de lazer, de trabalho. Os cristãos espelham-se em Jesus Cristo, pois o “Evangelho é boa notícia que realiza a libertação dos oprimidos e devolve a dignidade humana aos que lhes foi tirada”. Jesus nunca relativizou a dor e a aflição humana. Foi ao encontro das pessoas acolhendo a miséria alheia, estava atento ao clamor dos sofredores que gritavam: “Tem compaixão de nós”. A compaixão implica em sofrer a dor do outro, com o outro, não numa atitude conformista ou masoquista, mas a compaixão que leva à ação, à transformação, à mudança de vida e da realidade social, pois “a suspensão de toda miséria humana, da dor, da exploração e de todo tipo de desumanidade constitui uma urgente tarefa”.

“Homem e mulher criados à imagem e semelhança de Deus, são chamados a serem sinal e mediação da gratuidade divina no mundo. Em ambos reflete o próprio Deus, abrigo definitivo e plenamente feliz de toda a pessoa” (João Paulo II).

Com o tema: Mártires – Grito contra o Tráfico Humano e o lema: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1) a Romaria quer tocar a mente e o coração das pessoas e da sociedade para novas posturas de vida, com mais dignidade, paz e livre das amaras da violência, do tráfico e de tudo que definha a imagem e semelhança de Deus.
Mártir são aqueles e aquelas que deram a sua vida por causa da fé, da justiça e defesa da vida. O mártir dos mártires é Jesus Cristo. O seu caminho foi o calvário. Entre nós mártires “os que tiveram a vida abreviada pela violência, pela ganância, ódio, egoísmo, vaidade e prepotência dos poderosos e dos impérios deste mundo”. Dói no coração humano ver crianças vítimas de doenças incuráveis, tantas mortes e sequelas irreparáveis no trânsito, a violência de pais irresponsáveis e o rosto sofrido de mulheres e homens vítimas da organização social e econômica da sociedade. Rosto dos povos indígenas, rosto de rostos sofridos que lutam por terra, moradia, saúde, emprego, ética, justiça e solidariedade.

Neste domingo (6), às 16:00 horas, na Praça da Saudade, tem início a Romaria, com cantos, encenações, símbolos e segue em caminhada até ao espaço do Cais onde haverá a celebração da missa de encerramento e envio missionário.

(*) Juventino Kestering é bispo diocesano

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