Por que entramos e como saímos da prostituição? (Igreja Universal do Reino de Deus)

Conheça histórias chocantes de pessoas que precisaram vender o corpo em busca da sobrevivência

Problemas familiares, dificuldade financeira, vícios, envolvimento com o crime e até falsa promessa de emprego são situações que podem levar mulheres a se prostituir. No entanto, uma coisa é certa: se elas tivessem outras oportunidades, a história seria diferente. É o que garante a secretária adjunta de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Rosangela Rigo.

“Há mulheres que fazem da prostituição a única alternativa de renda, mas na maioria das vezes não é por escolha. À medida que oferecemos opções de profissionalização, aumento do nível de escolaridade e garantia de fonte de renda mais elas preferem outros caminhos”, afirma Rosangela, em entrevista exclusiva à Folha Universal.

Vender o próprio corpo não é motivo de orgulho para essas mulheres. Em razão da vergonha que sentem e também para evitar olhares de condenação da sociedade, a maioria delas se esforça para manter o anonimato. Pelo menos é isso que apontam os relatos inéditos de três mulheres que conseguiram dar um novo rumo em suas vidas depois de anos vivendo no obscuro mercado do sexo em diferentes estados do Brasil.

Inocência roubada

A entrada no mundo da exploração sexual está relacionada a histórias trágicas. Em vez de glamour e dinheiro fácil, as protagonistas logo percebem que são vítimas de um círculo vicioso de humilhações, violência sexual, ameaças, drogas e condições semelhantes à escravidão.

Algumas têm o primeiro contato com a prostituição antes da chegada à vida adulta, como aconteceu com a esteticista Josefa da Silva, de 47 anos. Aos 12 anos, ela, a mãe e a irmã de 8 anos foram viver em um bairro pobre de Araguari, Minas Gerais, onde uma barragem estava sendo construída. Milhares de homens circulavam diariamente e casas noturnas da região serviam de ponto de encontro de muitos deles nas horas de folga. “As mulheres que se prostituíam me tratavam bem, eram minhas amigas. Eu ia aos bordéis para conversar, era ingênua”, diz, relembrando a época em que só acompanhava a atividade.

Aos 22 anos, a prostituição se apresentou como solução perversa. Após romper com o marido que a espancava, Josefa encontrou nos prostíbulos uma forma de sustentar as duas filhas, então com 8 meses e 2 anos de idade. “Não havia creche ou alguém para cuidar das crianças, eu ficava com elas de dia e ganhava dinheiro à noite”, explica.

041514_exg_fdoA adolescência também foi cruel para a catarinense Fernanda Oliveira, hoje com 34 anos. Durante o baile de debutante de uma amiga, ela foi seduzida pelo pai da aniversariante, um velho conhecido da família. Naquela noite, Fernanda teve relações sexuais com o homem e não demorou até que ela fosse viver na casa dele. Dois meses depois, no entanto, veio o “balde de água fria”, como ela define. “Eu achava que era namorada, mas descobri que ele aliciava garotas. Ele me obrigou a ir para as ruas para ganhar dinheiro. Na primeira semana, fui estuprada por um cliente”, diz Fernanda. A menor de idade era vigiada o tempo todo pelo companheiro-cafetão, que ainda a agredia.

A cabeleireira Laila Ribeiro sofreu o primeiro abuso sexual aos 12 anos. De origem pobre, a fluminense de 46 anos lembra que costumava fazer serviços domésticos na casa de conhecidos para ajudar os pais. Um dia, ela foi convidada para morar com uma das famílias. O combinado era que Laila deveria fazer faxina e cuidar das crianças em troca de comida, moradia e alguns trocados.

Longe dos olhos dos pais, no entanto, ela também foi obrigada a aguentar a violência do “patrão”. “Eu dormia no meio das filhas dele e ele abusava de mim, mas eu não podia falar nada”, conta, emocionada.

Depois de passar parte da adolescência de casa em casa como faxineira, ela foi induzida a trabalhar em uma boate. Na época, Laila tinha só 16 anos. “Uma mulher que visitava minha patroa me convidou para um emprego melhor. Ela abriu conta bancária para mim e me deu até talão de cheque. Quando cheguei lá, descobri que era casa de prostituição, mas não tinha mais para onde voltar”, afirma.

Tormento e recomeço

Além do sofrimento de vender o próprio corpo a estranhos, Fernanda, Josefa e Laila viviam com a sensação de aprisionamento. Para fugir da solidão e suportar a dor, elas recorreram à cocaína e às bebidas alcoólicas.

Josefa se prostituiu durante 15 anos. Nesse período, ela se envolveu com traficantes, participou de assaltos, perdeu a guarda das duas filhas mais velhas e ficou grávida de outras três crianças, que foram encaminhadas para adoção. Aos 37 anos de idade, quando já vivia com o atual marido, ela decidiu recomeçar. Certa noite, ela pesou sobre a vida e decidiu que lutaria contra a prostituição para reconstruir a família.

“Eu tinha emprego, mas ainda fazia programas, era como se eu não tivesse controle sobre minha vida. Aceitei um convite para uma reunião da Universal porque queria investir na minha família”, relembra. Em uma semana, ela parou de usar drogas e encontrou palavras de conforto e incentivo. “Eu estava determinada a sair da prostituição, não importava o preço que iria pagar”, finaliza. Aos poucos, Josefa e o marido conseguiram fortalecer o relacionamento e ela se preparou para ser esteticista. Após alguns meses, Josefa retomou o contato com as filhas, que hoje têm 30 e 32 anos de idade.

Fé em Deus

Dos 16 aos 25 anos de idade, Laila trabalhou como faxineira, mas, quando estava desempregada, acabava voltando para a prostituição. Aos 18 anos, ela teve o primeiro filho, que foi enviado para a casa dos seus pais. Durante o tempo em que foi garota de programa, Laila passou por várias boates de Copacabana, usou drogas até perder os sentidos e foi enganada por uma promessa de trabalho.

“Em Rondônia, fui levada para um bordel e logo estava devendo o dinheiro da moradia, da roupa e da comida para os donos do lugar. Um dia, fui fazer um programa extra e acabei passando mais de 24 horas trancada em uma casa com vários homens, usando cocaína e me prostituindo”, revela. Ela continua: “Quando já estava sem forças e completamente drogada, consegui escapar deles, fui ao banheiro e pedi a ajuda de Deus. Naquele dia, resolvi parar”, relata Laila, que conseguiu voltar para o Rio de Janeiro com a ajuda de um policial que pagou a passagem de avião.

Mas o tormento de Laila não tinha acabado. “Eu me sentia um lixo, tinha nojo. Parece que estava escrito na minha testa ‘eu sou prostituta’. A acusação permanecia dentro de mim, era horrível”, admite. Ela chegou a passar fome e a atrasar o aluguel antes de conseguir uma vaga como atendente, onde recebia menos de um salário mínimo. Laila foi morar com o namorado e teve outro filho, mas o relacionamento não deu certo. Depois, ela se mudou para uma comunidade carente, onde vendeu salgadinhos e trabalhou como animadora de festas infantis.

“Eu continuava agressiva, batia no meu filho mais velho, vivia atormentada. Encontrei conforto espiritual na Universal, onde cheguei em 1996”, afirma. “É preciso estar preparada para ser pisoteada pelos outros, cair e levantar. Eu nunca abandonei Jesus, sempre confiei nEle”, afirma Laila, que dedica a vida ao salão de beleza próprio e aos cuidados dos dois filhos e da filha caçula, de 14 anos.

Já a catarinense Fernanda passou 12 anos fazendo shows de strip-tease em vários estados brasileiros e chegou a receber R$ 1 mil por programa em boates de luxo. “Eu só pensava em dinheiro para comprar cocaína. Uma noite percebi que vivia uma ilusão. Eu não queria morrer daquele jeito. Meu corpo estava anestesiado, mas minha alma não aguentava mais. Voltei para Florianópolis e reencontrei minha mãe. Ela me ajudou a renovar minha fé em Deus”, justifica Fernanda, que reaprendeu a se valorizar e recuperou a autoestima. Funcionária de um comércio, hoje ela faz planos para o futuro. “Apesar das dificuldades financeiras do início, eu fui perseverante e agora acredito em mim”, conclui.

As histórias de Josefa, Fernanda e Laila mostram que é possível superar dificuldades. Para quem deseja encontrar forças e orientação para grandes mudanças, o dia 19 de abril promete ser um divisor de águas. Veja como participar do “Dia Universal da Mulher” no caderno Folha Mulher.

Direitos garantidos

Em maio, a Secretaria de Políticas para as Mulheres vai lançar uma campanha para divulgar a central 180 e combater a exploração sexual. O objetivo é conscientizar a população sobre a importância de denunciar violações contra mulheres, que tendem a aumentar durante grandes eventos, como o mundial de futebol. Com investimento de R$ 10 milhões, a ação vai contar com distribuição de cartazes, panfletos e vídeos institucionais em hotéis, restaurantes, bares e outros locais. “Queremos atingir brasileiros e estrangeiros. A denúncia pode até acabar com organizações criminosas. Uma das ligações recebidas no telefone 180, por exemplo, conseguiu desarticular uma quadrilha de tráfico de mulheres que agia na Espanha”, explica Rosangela Rigo, reforçando que a denúncia ajuda a acabar com a exploração de mulheres no País. Além disso, garantir direitos e oportunidades é fundamental para que cada brasileira tenha autonomia sobre o próprio corpo e possa fazer escolhas conscientes.

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