Com app, jovens querem ajudar as vítimas da ‘pornografia de vingança’ (G1)

Com app, jovens querem ajudar as vítimas da ‘pornografia de vingança’

(Larissa Rodrigues, Estela Machado, Camila Ziron, Letícia Santos, Hadassa Mussi e Juliana Monteiro)

Vítimas da “pornografia de vingança”, as mulheres que têm sua intimidade exposta em uma corrente interminável de mensagens via celular estão prestes a encontrar na tela do aparelho um caminho que as ajude a deixar para trás o sentimento de humilhação.

Um grupo de seis estudantes do Ensino Médio de Santos (SP) trabalha em um aplicativo para ajudar quem passou pela experiência. ”Elas não são as culpadas pelo conteúdo íntimo delas ter sido exposto”, diz Estela Machado, uma das idealizadoras do app For You. O objetivo das moças é criar um canal que apresente um caminho às mulheres que passam pelo que se convencionou chamar de “slut shaming”, algo como a vergonha por ter caído na rede imagens ou vídeos que as mostrem nuas ou em pleno ato sexual.

Ainda um protótipo, o aplicativo é um projeto criado pelas estudantes para participar do Techinovation Challenge, O concurso incentiva garotas de 10 a 23 anos a desenvolver projetos de empreendedorismo que ajudem a resolver algum problema de suas comunidades. Presente em todo o mundo, a iniciativa é apoiada pelas empresas Google, Twitter, Dropbox, o laboratório de mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) e o investidor Andreessen Horovitz.

O For You participa da seletiva do Brasil –há outros 23 times na disputa. Cinco das idealizadoras do app têm 16 anos e a sexta, 18 anos. Há etapas do concurso em outros países como Paquistão, Estados Unidos, Moldávia, Índia, Uganda e Camboja.

O aplicativo terá uma parte em que as usuárias poderão ler como outras vítimas da “pornografia de vingança” reagiram. Em outra poderão contar suas próprias experiências. “Poderão postar anonimamente para serem menos expostas”, diz Estela. Se apenas ler não resolver, poderão conversar com as embaixadoras (psicólogas, ex-vítimas e até advogadas escolhidas pelas meninas da For You). Os desdobramentos jurídicos que um caso de exposição da intimidade pode tomar serão abordados em uma terceira parte que conterá a legislação que respalda mulheres nessa situação.

Ciberbullying
Além de um ombro amigo, as embaixadoras também são uma forma de permitir que as usuárias possam falar com alguém. Segundo Estela, o contato por meio do app entre as usuários será vedado, por enquanto, para que pessoas mal intencionadas que criarem perfis falsos não consigam dizer coisas que piorem o estado de mulheres que já estejam fragilizadas.

A metralhadora do ciberbullying de rapazes irados já fez as criadoras For You de alvo. “Muitos meninos vieram falar que a gente estava querendo proteger vagabunda”, diz Estela. A sanha deles só amainou à medida que o projeto andou, e mais pessoas apoiaram a ideia.

“Na minha opinião pessoal, eu acredito que eles se sentiram ameaçados. Um monte de meninas que antes estava calada e do nada começou a se ‘empoderar’, buscar o seu papel e se impor? Isso assusta um pouco”, comenta.

Nenhuma das meninas do grupo foi vítima de alguma “pornografia de vingança”. Nem por isso, o tema é algo distante. Elas contam que amigas e até familiares já estiveram no olho desse furacão. Uma delas, de apenas 13 anos, teve as fotos em que vestia apenas lingerie divulgadas por um namorado, após o término do relacionamento. Outra nem havia compartilhado fotos íntimas com um rapaz, mas uma montagem a colocou no corpo de uma mulher nua. “Foi pura maldade”, diz Estela.

O prêmio para os vencedores da etapa mundial do Techinovation Challenge é de US$ 10 mil. Se o dinheiro não vier, as meninas já estão se planejando criar o aplicativo por conta própria. A ideia não é transformá-lo em um negócio, mas, como diz Estela, “se vier dinheiro, beleza”.

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