Pagamento com bitcoin vira novo desafio na luta contra pornografia infantil (UOL/Bloomberg)

13 de outubro (Bloomberg) – Em um prédio de dois andares na cidade universitária de Cambridge, Inglaterra, pesquisadores da Internet Watch Foundation (IWF) do Reino Unido estudam imagens on-line de crianças abusadas sexualmente em um esforço para retirá-las da internet. É uma tarefa desanimadora, e neste ano ficou mais complicada quando eles acharam um novo botão de pagamento do lado dos ícones da Visa, da MasterCard e da PayPal: bitcoins.

Em janeiro, os pesquisadores do grupo começaram a ver que a criptomoeda estava sendo aceita para compras de pornografia infantil cujo custo oscila entre US$ 1 e centenas de dólares.

Desde então, a fundação descobriu quase 200 sites que aceitam bitcoins, e pesquisadores nos EUA, na Alemanha e em vários outros países estão observando o mesmo. Mais de 30 sites aceitam unicamente bitcoins, diz a IWF.

“A emergência dos bitcoins como pagamento para abuso sexual de crianças representa o desafio mais novo na luta” contra a pornografia infantil, disse Sarah Smith, pesquisadora da IWF. “Isto é só o começo”.

Nos últimos anos, a polícia e detetives corporativos em toda a Europa e nos EUA fizeram progressos na redução de pagamentos de pornografia infantil com cartões de crédito, dificultando aos vendedores lucrarem com suas imagens.

O bitcoin minou esses esforços ao oferecer a compradores e vendedores uma forma de ocultarem sua identidade, diz a polícia.

A moeda proporciona “aos operadores de sites comerciais de abuso sexual de crianças um método de revitalizarem seu fluxo de pagamentos”, disse John Shehan, diretor executivo do Centro Nacional de Crianças Perdidas e Exploradas dos EUA em Alexandria, Virgínia.

Atrativo para o submundo do crime
Os defensores da moeda descentralizada elogiam sua promessa de anonimato, ausência de taxas bancárias e posição nas margens do setor financeiro. Mas esses mesmos atributos a tornam atraente para o submundo do crime.

A polícia de pelo menos meia dúzia de países diz que criminosos usaram bitcoins para comprar armas, contratar assassinos, comprar números de cartões de crédito roubados –e pagar pornografia infantil on-line.

Diferentemente dos cartões de crédito, que estão ligados a uma pessoa específica, os bitcoins normalmente protegem a identidade dos seus donos. Na maioria dos casos, basta só com um endereço de e-mail para criar uma conta, e somente um punhado de países regulam a moeda.

Patrick Murck, diretor do departamento jurídico da Bitcoin Foundation, diz que o grupo está fazendo o que pode para parar a utilização da moeda para atividades ilegais.

Murck disse que as moedas virtuais se empenharão cada vez mais em limparem sua imagem para garantir o crescimento e evitar uma maior supervisão regulatória, ainda que ele reconheça que é “ingênuo” pensar que o bitcoin não está sendo usado para comprar pornografia infantil.

‘Arder no inferno’
“As pessoas que fazem essas coisas deveriam arder no inferno”, disse Murck. “Quanto mais pudermos fazer de forma pró-ativa para evitar o uso abusivo de moedas digitais, melhor”.

Alguns defensores dizem que uma melhor regulamentação, como a aplicação de regras contra a lavagem de dinheiro ao bitcoin, ajudaria a combater sua utilização por criminosos.

Cada transação feita com bitcoins é registrada em um livro-razão público chamado blockchain (“cadeia de blocos”), um código que pode ser rastreado até carteiras particulares.

O bitcoin não é a única moeda digital utilizada no negócio da pornografia infantil, disse Troels Oertling, diretor da unidade de crimes cibernéticos da Europol na Haia.

As moedas britânicas Ukash e Paysafecard, com sede em Viena e apoiadas pela União Europeia, têm sido usadas para pagar dito material, disse ele.

Ernie Allen, um dos presidentes da Força de Tarefas da Economia Digital e diretor do Centro Nacional de Crianças Perdidas e Exploradas dos EUA em Alexandria, Virgínia, diz que as regulamentações existentes em muitos países poderiam ser aplicadas ao dinheiro virtual.

O Tesouro americano exige que as bolsas de moedas virtuais estejam registradas, possuam uma licença e mantenham certas informações sobre os usuários.

A internet promoveu um abuso cada vez maior de crianças porque os pedófilos enfrentam poucas chances de serem detectados, disse ele, e o risco é ainda menor quando “eles podem usar moedas não bancárias sem regulamentações que atuam fora do sistema financeiro”.

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