John Grisham pede desculpas por comentários sobre pornografia infantil (Folha de São Paulo)

John Grisham pede desculpas por comentários sobre pornografia infantil

O escritor John Grisham, 59, pediu desculpas por ter defendido penas menos severas para internautas que baixam e assistem pornografia infantil.

"Meus comentários não foram de nenhuma forma um endosso a criminosos sexuais, especialmente àqueles que molestam crianças. Eu não consigo pensar em nada mais desprezível e peço desculpas a todos", escreveu ele em seu site.

O autor de de thrillers como "O Dossiê Pelicano", "A Firma" e "Tempo de Matar" fez as declarações em uma entrevista ao jornal inglês "The Telegraph", ao criticar o sistema penal americano, que, segundo ele, "enlouqueceu" e dá sentenças severas demais a crimes como o recebimento e visualização de pornografia com crianças.

Grisham afirmou que "nem todos que recebem pornografia infantil são pedófilos" e que aqueles que veem esse tipo de imagens no computador "provavelmente beberam demais".

"As cadeias ficam cheias de homens brancos de meia idade e cabelos brancos como eu, que nunca machucaram ninguém, que nunca encostariam numa criança", afirmou. "Eles merecem receber uma punição, qualquer que seja, mas dez anos de cadeia?"

Ele contou ainda a história de um amigo —que, segundo Grisham, era alcoólatra na época— de faculdade que ficou preso durante três anos no Canadá por assistir a imagens sexuais com menores de idade.

O escritor, no entanto, afirmou que "pedófilos de verdade" deveriam ser presos, mas que "muitas dessas pessoas não mereciam as duras penas que estão recebendo".

A pena média nos EUA para quem possui —mas não produz— pornografia infantil dobrou entre 2004 e 2010, de 4,5 anos para aproximadamente 8 anos, segundo um relatório publicado em 2012 pela comissão de sentenciamento do Estado americano.

MENSAGEM PERIGOSA

Entidades contra o abuso infantil criticaram as declarações de Grisham. À BBC, Jon Brown, da associação inglesa de combate à crueldade infantil, disse que os comentários do escritor passam "uma mensagem perigosa de que só olhar para as imagens não causa nenhum mal".

Segundo ele, "cada foto é de uma criança de verdade, que sofreu abuso", e que ao clicar nesse tipo de conteúdo, os internautas criam uma demanda que é revertida em mais crimes sexuais contra crianças.

Dino Nocivelli, advogado londrino especializado em pedofilia, disse à rede britânica que o escritor deveria conhecer sobreviventes de abuso para "se educar e entender o tamanho da inadequação que foram seus comentários".

>Ver artigo original.

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