‘Hot Girls Wanted’ mostra como a pornografia atrai jovens nos EUA (G1)

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‘Não são putas, são românticas incuráveis’, diz diretor do filme.
Documentário estreia no Netflix após passar no festival de Sundance.

O documentário “Hot Girls Wanted” traz uma visão nua e crua do mundo da pornografia amadora em Miami, onde o dinheiro fácil e a fama faz muitas jovens recorrerem ao sexo como meio para realizar seus sonhos.

O filme foi lançado sexta-feira no Netflix após sua estreia no Festival de Cinema de Sundance, em janeiro, e relata as experiências de um grupo de meninas perto dos 18 anos que deixam para trás sua cidade natal em busca de aventuras, mas sem saberem claramente onde estão se metendo.

“Não são putas, são românticas incuráveis”, assegurou Ronna Gradus, que dirigiu o filme junto com Jill Bauer, em um encontro com a imprensa em Los Angeles.

As cineastas descrevem estas novatas do pornô como meninas doces, queridas por seus pais e criadas no seio de famílias da classe trabalhadora em pequenas cidades americanas.

“Têm fogo no estômago, são inteligentes, muitas só tiveram dois namorados e não entraram no pornô porque querem ter sexo com qualquer um, é uma forma de escape”, explicou Bauer, que insistiu que todas desejam viver uma aventura.

“Hot Girls Wanted” abre as portas de uma casa de Miami administrada por um “recrutador” de jovens promessas da indústria do pornô amador, que encontra seus novos talentos através de anúncios publicados no site Craigslist.

O documentário mostra como é fácil contratar estas meninas, a quem pagam a passagem e dão alojamento para começar uma carreira que, na maior parte das vezes, dura apenas alguns meses. Nesse negócio o consumidor se cansa rapidamente das caras novas.

O documentário retrata a afetuosa convivência das jovens, que se apoiam e falam de suas ilusões e se alegram com o sucesso de seus vídeos, distribuídos em sites que possuem em média 41 milhões de visitas ao mês.

As novatas se inventam com um nome artístico e buscam seguidores no Twitter, que é “sua ferramenta de marketing”, apontou Gradus.

“Se seu filho tem acesso ao Twitter pode acompanhar essas estrelas do pornô e ver conteúdos explícitos o dia todo”, acrescentou Bauer.

Para as produtoras existe uma influência indireta dos conteúdos gerados pela indústria do entretenimento atual na decisão dessas meninas.

“Hollywood não as fez escolherem (os filmes), mas a usam como justificativa. Quando veem Miley Cyrus colocando dinheiro na calcinha, não é tão difícil fazer essa conexão, e nas casas destas meninas os reality shows estão ligados o tempo todo, é com o que crescem”, comentou Gradus.

O documentário viajou com uma delas até sua cidade natal e mostrou quando ela contou aos seus pais que tinha começado a fazer pornografia na internet, situação que aconteceu “de forma orgânica” para a surpresa das diretoras, que estiveram a ponto de se envolver na história de outra jovem.
Ao conhecer uma nova recruta que tinha acabado de se instalar na casa de Miami perceberam que a jovem estava um pouco desorientada.

“Ela não tinha processado o que estava fazendo”, explicou Bauer. Voltaram a encontrá-la no dia seguinte, e ela estava “triste”.

“Tinha descoberto que não usavam preservativos” e então já queria retornar para sua família, mas não tinha dinheiro, contou Bauer, que junto com Gradus tomou a decisão de pagar a passagem dela.
“Como mulheres não podíamos não fazer nada”, disse Bauer, pois apesar de documentaristas aquilo significou um “dilema moral”, afirmou Gradus.

Quando voltaram à casa viram que a jovem já tinha criado uma boa relação com o resto das aspirantes a estrelas do pornô e suas prioridades tinham mudado.

“Descobrimos que a fantasia, as possibilidades de viver essa vida e ter muito dinheiro, era muito mais atraente para ela do que retornar”, apontou Gradus.

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