Mulheres Incompartilháveis: campanha visa conscientizar população sobre a pornografia de vingança (Donna)

Postado por Thamires Tancredi

Na era do WhatsApp, é raro encontrar alguém que nunca tenha recebido uma foto íntima pelo aplicativo. É normal se quem te enviou foi um paquera, o namorado ou o marido, mas e quando a imagem em questão é de alguém desconhecido?

Provavelmente, trata-se de mais um caso de pornografia de vingança (ou revenge porn, em inglês), quando uma das partes, depois do fim do relacionamento, compartilha com outras pessoas qualquer conteúdo íntimo relacionado ao ex, como nudes e vídeos, sem prévio consentimento. Foi para conscientizar a população sobre o crime que a equipe de redes sociais da Prefeitura de Curitiba lançou a campanha Mulheres Imcompartilháveis. Sim, o foco é nelas, já que a maioria das vítimas da violação de intimidade são adolescentes, jovens e adultas do sexo feminino.

O funcionamento do projeto é baseado no envio de vídeos e fotos pelo aplicativo de troca de mensagens. As imagens aparecem borradas de propósito, como quando está sendo carregada. Ao ampliar o arquivo JPG, o que se vê é o alerta abaixo:

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Nem é preciso dizer que a campanha é mais do que válida, não é? Além da exposição indevida de uma imagem que foi enviada somente para uma pessoa em quem se confia (ou confiava, no caso), a vítima enfrenta os mais diversos transtornos emocionais. Vale lembrar que, em 2013, duas mulheres cometeram suicídio após ter imagens íntimas divulgadas pelos ex-companheiros – incluindo uma adolescente de 16 anos de Veranópolis, na Serra Gaúcha.

Para se ter somente uma amostra do quanto a percepção das pessoas ainda é errada sobre esse tipo de crime – e acaba, na maioria das vezes, culpabilizando a vítima -, basta espiar alguns dos comentários na própria página da Prefeitura, onde as peças também foram postadas:

— É só não gravar — escreveu o internauta Tom Lenna.

E a “Prefs” prontamente respondeu:

— Tom, a vítima não é a culpada. Muitas vezes esses vídeo são usados para humilhar ou até mesmo chatagear as vítimas. Isso é crime!

Mas – ainda bem! -, há quem também corrobore com a máxima de que o culpado é não só quem divulga as imagens pela primeira vez, mas também quem recebe e compartilha, como Rafaela Pilati:

— Só digo uma coisa: a nudez e a sexualidade são coisas absolutamente normais, o que não deve ser normal é agir de má fé — comentou.

Karen Bekman vai além e compara com a típica opinião machista – que, infelizmente, vem de muitas mulheres também – que põe nas vítimas a culpa de vários crimes contra as mulheres.

— [Os que acreditam que a culpa é de quem tira fotos íntimas e envia] Não são muito diferentes daqueles que tentam legitimar um estupro porque a vítima estava de roupa curta — disse.

>Ver artigo original.

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