Pornografia não é empoderamento feminino (Festival Marginal)

Pornografia não é empoderamento feminino

(obs: Existe diversidade no mundo, mas esse texto é sobre o padrão patriarcal e hierárquico, o hétero)

Nós mulheres somos socializadas para sermos lindos objetos sexuais. Toda a nossa cultura atual é composta por imagens de mulheres hiperssexualizadas. E o que é ser hipersexualizada nessa cultura onde a heterossexualidade é a regra a ser seguida? É ser moldada, lapidada, construída para ser desejada sexualmente pelo sujeito que deseja, o homem.

Isso envolve ser, ou parecer, sexualmente disponível, magra, com seios enormes, totalmente depilada, ter os cabelos compridos, roupas sexy, etc.

Homens também são hiperssexualizados na nossa cultura, mas de maneira totalmente diferente: para parecerem fortes, musculosos, dominantes, insaciáveis e violentos com o objeto que desejam, a mulher. Ah, pelos no corpo deles é opcional…

Mas voltando às mulheres.

Isso tudo não precisa ser dito, explicado, passado de mãe para filha, isso está em todos os lugares, é quase o ar que respiramos.

Quando uma menininha assiste TV pela primeira vez, olha uma revista pela primeira vez, acessa a internet pela primeira vez, é muito provável que essa primeira imagem seja de uma mulher hiperssexualizada.

É aí que começa o perigo.

Nossa personalidade vai sendo moldada a partir dessa representação de mulher, que é a mais comum e mais celebrada, e nossos gostos e ideias próprias vão sendo substituídos por essa noção de quer ser mulher é ser “gostosa”.

Parafraseando a feminista Gail Dines:

“Vivemos num mundo onde as mulheres tem 2 “opções”, serem comíveis ou invisíveis, e ninguém quer ser invisível.”

Ou seja, como pode ser uma escolha se foi programado e enraizado em nossas mentes desde o nascimento que o nosso valor depende diretamente do desejo do outro?

Como dizer que mulheres escolheram seguir um padrão de beleza misógino sendo que esse padrão é o único que nos foi “oferecido” como opção?

E o que isso tem a ver com a pornografia?

Bom, esse padrão de beleza é pornográfico.

Mulheres não decidiram de uma hora pra outra tirar todos os pelos do corpo, colocar silicone, mega hair e uma tonelada de maquiagem. Mas de uns tempos pra cá (desde os anos 50 pra ser exata), o desejo sexual dos homens é construído em cima desse padrão criado pela multibilionária Indústria Pornográfica, e pra onde vai o desejo dos homens, o padrão de beleza vai também.

E pior, essa indústria não está apenas moldando nosso padrão de beleza, também está moldando um padrão sexual, o de sexo violento.

Foi-se o tempo em que pornografia eram pessoas transando. A pornografia na era da internet virou um campo de batalha para saber quem é mais misógino para atrair a atenção dos homens – cada vez mais e mais difíceis de surpreender.

E não estou falando de filmes alternativos fetichistas reservados a um pequeno grupo, mas dos títulos mais assistidos e baixados online ultimamente.

Engasgar mulheres até elas vomitarem forçando sexo oral, sexo anal extremamente violento (que costuma causar prolapso retal nas atrizes), tapas que deixam hematomas, xingamentos misóginos e sexo com jovens de 18 anos vestidas com roupas infantis (para burlar as leis anti-pedofilia) viraram lugar comum no reino da pornografia online.

E quem sofre as consequências desse desejo monstruoso que foi cultivado nos homens e divulgado por homens pela Indústria Pornográfica? Mulheres e crianças.

Homens ao redor do mundo desejam realizar o que veem nos filmes com as namoradas, esposas, amigas, desconhecidas, enteadas e filhas.

Algumas conseguem escapar, dizer não, fugir, mas nem sempre isso é uma opção. Além das vítimas de estupro e pedofilia, temos as mulheres que se relacionam com homens cujo esse desejo foi construído pela pornografia violenta.

A socialização feminina sempre foi direcionada a agradar os homens e a anularem o próprio prazer, então muitas acabam se forçando a praticar atos contra a sua vontade e “aprendem a gostar” pra não ficarem sozinhas ou para não parecerem conservadoras demais.

Antes que digam “ah, mas tem mulher que gosta”, estamos aqui falando da regra, não das exceções. E esse “gostar” é papo para outro texto.

Quando feministas criticam a pornografia, não estão criticando o sexo, nem sendo moralistas, estão analisando o impacto nocivo que a Indústria Pornográfica tem nas nossas vidas, e o quanto essa indústria é poderosa em fazer parecer que tudo não passa de uma fantasia.

A fantasia misógina que acontece na cabeça dos homens, acontece com corpos de mulheres e crianças reais.

>Ver artigo original. (AVISO: nudez parcial. Opiniões dentro deste artigo não são necessariamente as opiniões dos pornografia destrói.)

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