Em entrevista exclusiva, Andressa Urach dispara: “A televisão e as mídias são muito utilizadas para prostituição” (ATL POP)

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Andressa Urach sempre teve seu nome e sobrenome ligados à polêmica. Como ela diz, precisou morrer para viver. Em 2014, passou algumas semanas sedada por causa de um procedimento que quase a matou. Aquela Andressa, segundo ela, não existe mais. A guria, nascida em Ijuí, que se prostituiu em Porto Alegre e fez de tudo (literalmente) pela fama acabou. Convertida, Andressa lançou o livro Morri Para Viver, que já vendeu mais de 500 mil cópias. Em entrevista exclusiva, ela trocou uma ideia sincera com Adams, Arthur, Porã e Potter para o ATL Paper, encartado nesta sexta-feira (16) em ZH.

Potter – Parabéns pelas 500 mil cópias vendidas do livro Morri Para Viver. O número, para o mercado editorial brasileiro, é espetacular. A que tu atribuis esta vendagem?

Andressa – Quando você faz as coisas para o bem, elas voltam. Não foi fácil escrever e falar de coisas que eu me envergonho muito. Coisas que a vida inteira eu tentei encobrir. Quando eu participei de A Fazenda, muita gente falava que eu era garota de programa, que eu brigava e agredia as pessoas. Isso faz parte do meu passado e é muito vergonhoso para mim. Eu jamais assumiria isso se não estivesse de frente com a morte. Falar de tudo isso é tirar um peso das minhas costas. O livro é um desabafo. Tenho como objetivo ajudar as meninas a sair da prostituição. Só quem está na prostituição sabe o quanto é difícil sair dela. Outro objetivo, é mostrar as verdades sobre o mundo da fama. Principalmente, para as pessoas que acham que o dinheiro traz felicidade. Existe um vazio dentro do peito que não é preenchido. Realmente, eu precisei estar de frente com a morte, ter três buracos na perna direita, quatro na esquerda… Minha perna inflamada, fedendo e apodrecendo numa cadeira de rodas para aprender a dar valor à vida.

Adams – Que tipo de valor à vida?

Andressa – Durante seis anos eu me submeti as coisas mais nojentas que um ser humano pode imaginar na prostituição. Masoquismo, sadomasoquismo e tudo pelo dinheiro. Quando eu estava no hospital, dinheiro nenhum podia me ajudar. Eu precisei morrer para viver.

Adams – O livro acabou sendo uma terapia.

Andressa – Com certeza. Na verdade, foi um desabafo. Quando eu fiz o livro, ainda tinha medo de morrer. Muita gente pode não acreditar, mas todos nós estaremos num julgamento. Eu estive. Minha alma saiu do meu corpo e eu fui para um julgamento. Lá, a minha alma estava condenada ao inferno. Quando eu estava sendo julgada, um filme passou pela minha cabeça de tudo de errado que eu fiz. Até os olhares feios que eu lancei para alguém. Quando pintou a segunda chance, pensei em fazer tudo diferente. Algumas pessoas dizem não acreditar e que tudo isso é uma jogada de marketing para vender livros. Olha, não queiram estar de frente com a morte. Não pensem que o inferno não existe. Eu acredito no inferno. Eu não desejo isso pra ninguém.

Arthur – Isso tem a ver com grana?

Andressa – Dinheiro por dinheiro, eu sempre tive. Na prostituição, eu ganhei muito dinheiro. Eu tinha mais de R$ 60 mil na minha conta. O que vale hoje é a minha consciência tranquila e conseguir dormir. Só quem tem insônia sabe o quanto uma noite dormida faz de diferença.

Porã – Como tu supres o vazio existencial agora?

Andressa – Tenho a consciência tranquila de saber que eu nasci de novo. Eu precisei me esvaziar e mudar meus pensamentos. A gente cresce acreditando naquela história de pau que nasce torto nunca se endireita. É preciso ter humildade para dizer que errou. Todo mundo tem direito a um recomeço.

Porã – Tu te consideras uma mensageira de Deus?

Andressa – Não seria essa a palavra. Eu não sou melhor do que ninguém. Se hoje eu estou viva, é para falar do que eu vivi. Se Deus me deu uma segunda chance, eu não vou desperdiçar. Não importa se todo mundo falar que eu sou louca. Quero aproveitar que eu estou liberta daquele passado. Aquela Andressa morreu. Tenho muitas amigas que trabalhavam no mesmo bordel que eu, em Porto Alegre, e ainda estão na prostituição pensando em suicídio. Assim como eu pensava. É muita gente com um buraco dentro do peito.

Arthur – Muitas meninas te procuram em busca de ajuda para sair da prostituição?

Andressa – Muitas. E eu fico muito feliz, sabe. Durante muitos anos eu fui exemplo do que não ser. Todos os dias eu peço para que Deus me sustente e eu não caia. Só o fato de mostrar para as pessoas que existe um recomeço me deixa muito feliz. Não é simples mudar. Não é da noite para o dia. Tem que ter fé e estar disposta a abrir de certas amizades. No início, todas as pessoas se afastaram de mim. Depois, eu me senti um pouco sozinho, mas vi que isso era importante. Como você vai andar com as pessoas que continuam se prostituindo e usando pó? Se você quer largar a cocaína, como vai andar com os mesmos amigos.

Adams – Eu não lembro de tu ter falado já sobre vício em drogas. Tu cheiravas cocaína???

Andressa – Aos 11 anos eu conheci o cigarro. Aos 13, a maconha. Quando eu casei, aos 15 anos, eu parei. Aos 21, quando eu me separei, eu entrei para a prostituição e ia muito para as raves. Usei muita bala, lança-perfume, cola de sapateiro… Eu tive três overdoses. Numa rave em Viamão, no Rio de Janeiro e no Uruguai. Quando eu cheguei ao auge de fama, com capa de revista, eu fui para a cocaína. Eu ia para a balada de segunda a segunda. Bebia whisky, vodka e cheirava cocaína. Chegava pela manhã em casa e não conseguia dormir. Acabava tomando calmante.

Potter – Nossa… Todo mundo está acompanhando ao vivo essa transformação. Tu foste famosa pela antiga vida, e agora és uma outra Andressa. Esses dias assistimos um programa de TV em que tu te machucou muito com as palavras do apresentador. Parece que esse passado ainda te faz mal. É algo que ainda não está curado ou ele não foi legal contigo?

Andressa – Não é fácil falar do passado. Eu sei de onde saí. Não quero mais voltar para lá. Se hoje eu falo sobre isso, é para ajudar as pessoas. Pessoas próximas a minha família me questionam por eu falar que fui prostituta. Disseram que eu estava expondo meu filho e a mim mesma. Eu te digo: a gente não leva nada daqui. Quando eu morri, tudo ficou para trás. O que importa é a salvação da minha alma. Não importa se eu for julgada. Lógico que dói…

Adams – Tu achas que os programas te procuram para te deixar na saia justa e te machucar?

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