Ex-jogador da Premier League foi vítima de tráfico sexual (Diário de Notícias, PT)

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Al Bangura viajou da Serra Leoa para Inglaterra aos 16 anos. Pediu asilo para fugir à prostituição

É um retrato real de um drama que afeta milhares de jovens africanos todos os anos: Al Bangura, um futebolista da Serra Leoa que já jogou na Premier League, ao serviço do Watford, contou à BBC como chegou a Inglaterra, com 16 anos, trazido por um intermediário francês que o queria explorar no submundo da prostituição masculina.

A experiência dramática de Al Bangura – atualmente com 27 anos e sem clube, depois de em maio ter acabado contrato com o Coventry- começou ainda na Serra Leoa, quando, aos 15 anos, recusou suceder ao pai como líder da tribo secreta Poro. Al Bangura tinha outros planos: queria ser jogador de futebol. E por isso atravessou a fronteira até à Guiné-Conacri em busca dos seus sonhos.

Lá, em Conacri, conheceu um empresário francês que prometeu abrir-lhe as portas do futebol profissional no Reino Unido. E, sem suspeitar, acabou por entrar numa rede de tráfico humano para fins sexuais. “Não sabia que as verdadeiras intenções dele eram tornar-me um prostituto”, recordou Al Bangura à BBC, lembrando o episódio traumático por que passou à chegada a Londres, quando foi abandonado num edifício.

“De repente, vi-me rodeado por dois ou três indivíduos que me queriam violar e fazer ‘coisas'”, contou. “Eles provavelmente pensavam que eu sabia por que estava ali, mas eu sabia que tinha vindo para cá por uma só razão: jogar futebol. Comecei a gritar e a chorar, tremia por todos os lados, estava escuro, frio, mas felizmente consegui escapar-me dali. Mas não sabia o que fazer, por onde começar. Pensei que a minha vida ia acabar ali”, descreveu o antigo médio do Watford, que resolveu então pedir ajuda a um nigeriano que o aconselhou a pedir asilo.

Al Bangura ainda foi ameaçado de deportação mais tarde, já como futebolista profissional do Watford, quando fez 18 anos, com o ministério do interior inglês a por em causa o seu estatuto de refugiado, levando até os adeptos do Watford a manifestarem-se durante o intervalo de um jogo, com posters com a cara de Bangura e a inscrição “He’s Family (Ele faz parte da família)”. Em 2008 foi-lhe dado definitivamente o direito de residência no Reino Unido.

O relato da experiência do jogador da Serra Leoa à BBC serve para alertar para o problema do tráfico de futebolistas africanos. Estimadamente 15 mil jogadores da África Ocidental (muitos deles menores) são trazidos para a Europa todos os anos, segundo dados da organização Foot Solidaire.

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