Mais de 400 mil crianças não denunciam abusos, diz estudo (Terra)

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De acordo com especialistas, o número de vítimas é subestimado no país porque muitas não denunciam

Mais de 400 mil crianças vítimas de abuso sexual não falaram sobre o crime ao longo dos últimos dois anos, aponta um estudo feito pela comissão do Gabinete de Crianças da Inglaterra. Especialistas acreditam que o número de vítimas no país é bastante subestimado e sugerem que apenas um em cada oito jovens denunciam, informou o jornal The Mirror.

Segundo o órgão, cerca de 50 mil casos de abuso sexual foram registrados pela polícia e autoridades locais em dois anos (até março de 2014). Mas a estimativa é que o número real durante esse período seja mais de 450 mil crianças.

Isso significa que 85% das vítimas não recebem cuidados apropriados. Segundo o estudo, a maioria das crianças se mantém em silêncio porque os serviços que podem protegê-las necessitam de seus depoimentos.

Os crimes normalmente ocorrem aos nove anos, mas muitas vítimas não dizem nada por anos e só conseguem falar sobre o assunto quando atingem uma maturidade maior.

Um dos motivos é que muitos não reconhecem o assédio até ficarem mais velhos. Crianças não denunciam também por se sentirem culpadas e com vergonha, por temerem o agressor ou as consequências de uma possível denúncia, como o desmantelamento da família, por exemplo.

Simon Bailey, da polícia nacional responsável pela proteção de crianças, alerta que a facilidade com que jovens podem acessar a pornografia agrava os casos de violência, pois muitos acabam reproduzindo o que assistem. “Tive casos em que garotos de 12, 13 anos abusaram meninas de quatro, cinco anos porque achavam que o comportamento visto online era normal”.

Um estudo anterior estimava que 1,3 bilhões de crianças inglesas serão vítimas de abuso sexual até os 18 anos. O inquérito, realizado com dados da polícia da Inglaterra, focou em crimes dentro do círculo familiar, que totaliza dois terços dos abusos infantis. Um quarto dos abusadores também eram crianças e 75% das vítimas eram meninas.

O estudo sugere que o governo monte uma nova estratégia para prevenir o abuso sexual infantil, fortaleça as responsabilidades de quem trabalha com crianças e crie uma forma mais eficiente para identificar o problema.

Uma das propostas é que crianças em idade escolar tenham, obrigatoriamente, aulas sobre como construir relacionamentos saudáveis. A ideia é que toda a escola esteja comprometida em trabalhar a favor da segurança desses jovens, com professores treinados e preparados para reconhecer sinais de abusos.

Porém, o custo para policiar denúncias de abusos sexuais infantis na Inglaterra totaliza cerca de £1 bilhão (quase R$ 5,7 bilhões) por ano, segundo Bailey.

Jon Brown, da National Society for the Prevention of Cruelty to Children (Sociedade Nacional para a Prevenção de Crueldade Contra Crianças, em tradução livre, ou NSPCC, na sigla em inglês), liderou uma operação contra o abuso sexual infantil e acrescenta: “o peso de um abuso que ocorre dentro da família ou fora é enorme… A pergunta que precisa ser feita é, seria possível não termos recursos para combater esse crime? Estimamos que o custo anual, no Reino Unido, para combater essa prática, seja de mais de £3 bilhões (cerca de R$ 17 bilhôes) por ano”.

Anne Longfield, Comissária das Crianças para Inglaterra, trabalha com uma meta de reduzir o número de vítimas em cinco anos. “Um sistema que espera que as crianças contem sobre o abuso para alguém não pode ser efetivo. Profissionais que trabalham com crianças e o sistema em que estão inseridos devem estar bem equipados para identificar e agir ao menor sinal de violência”.

Para a comissária, o grande objetivo é parar os abusos e garantir que as crianças tenham a infância que merecem.

>Ver artigo original.

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