Site de relacionamento junta homens ricos a mulheres que gostam de gastar
(Jornal O Globo)

Site de relacionamento junta homens ricos a mulheres que gostam de gastar

Psicanalista considera a rede social Meu Patrocínio um retrocesso

RIO – Filha de paulistanos, a americana Jennifer Lobo, nascida em Orlando, sempre flertou com o Brasil. O amor pelo país é tão forte que, em 2013, após uma visita a sua avó, em São Paulo, decidiu rasgar a passagem de volta e ficar de vez na cidade. Para se manter, ela que é formada em comunicação nos Estados Unidos, resolveu criar um site de relacionamento, o Meu Patrocínio, que une homens endinheirados a mulheres que gostam de gastar. A plataforma, lançada em dezembro do ano passado, já reúne mais de 25 mil cadastros. Desse total, 70% são de mulheres e 30%, de homens. No Rio de Janeiro, a Barra é onde o time masculino tem maior representatividade com 40% dos perfis.

— Morei e trabalhei em Nova York por cinco anos. Em 2008, foi a primeira vez que ouvi falar de sugar daddies e sugar babies. Quando me mudei para o Brasil, vi que aqui os aplicativos de namoro iam muito bem, mas não havia um que desse relevância ao dinheiro e às finanças dos usuários. Decidi, então, trazer essa ideia dos Estados Unidos, onde esse tipo de ferramenta ta é muito comum.

As cidades de São Paulo, Rio de janeiro e Belo Horizonte lideram o número de perfis cadastrados. Do total dos homens, 33% são casados. Mas muita mulher não está nem aí para isso, como é o caso de uma supervisora de cozinha industrial, que para preservar sua identidade real, preferiu se apresentar apenas como Bárbara.

Ela tem 28 anos, mora na Penha e se cadastrou no Meu Patrocínio há pouco mais de um mês. Nesse tempo, já teclou com mais de dez homens, conheceu um solteiro da Zona Sul, de 38, com quem saiu duas vezes apenas, e um casado do Recreio, de 39. Com este último, além de ter saído para almoçar uma vez, Bárbara mantém contato diário.

— Como ele é casado, a coisa está rolando mais devagar. Tentamos nos ver essa semana, mas com o feriado, ficou tudo muito corrido para mim e não deu. O fato de ele ter compromisso com uma outra mulher não é empecilho para mim. Conseguimos nos falar com frequência, o que acho ótimo porque gosto de atenção. Pesquisei sobre ele na internet e vi coisas muito legais, ele tem muito dinheiro mesmo. Mas eu não quero presentes, mas que me ajude a alavancar profissionalmente — conta.

A estudante de RH Pollyana Almeida, de 30 anos, mora em Bangu e sempre buscou relacionamento pela internet. Quando o site foi lançado, ela foi uma das primeiras a se cadastrar. Hoje, está com malas prontas para Tampa, na Flórida, onde vai morar a partir do mês que vem com o empresário cubano Enrique Julian, dono de três franquias de um curso de inglês, no Rio.

Com uma impressão ruim sobre o site num primeiro momento, a produtora de moda de Copacabana Flavia Frazão, também de 30 anos, precisou consultar um amigo para tomar coragem de fazer seu cadastro em fevereiro. Há um ano morando no Rio, a paulista conheceu no Meu Patrocínio um empresário, de 42, com quem está saindo.

— Tenho dinheiro para comer onde eu quiser, mas da maneira que fui criada, o homem é quem paga o jantar e abre a porta do carro — diz.

A psicanalista e escritora Regina Navarro Lins acha lamentável a existência do Meu Patrocínio. Para ela, a mulher tem que ser incentivada a desenvolver seus talentos, em vez de procurar um homem que a banque.

— Depois de anos do movimento feminista, não deveria mais existir esse tipo de situação. Não adianta elas quererem os benefícios da emancipação, como transar no primeiro encontro, arrumar um namorado logo após o término de uma relação e se posicionar na sociedade, se procuram por um homens as sustentem. Isso é um retrocesso.

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