O que acontece quando atrizes pornô ficam grávidas? (Folha de S. Paulo/VICE)

O que acontece quando atrizes pornô ficam grávidas?

Diferente de Rotten e Vespoli, Simmons decidiu usar a barriga a seu favor. Ela começou a fazer trabalhos de fetiche, atuando em vídeos com temática de incesto como “Daddy Made Me a Mommy”.

Jessica P. Ogilvie Da VICE

Bonnie Rotten estava assistindo futebol americano na sala de casa num domingo, quando um comentário apareceu em uma de suas fotos no Instagram:

“Ela vai parar de fazer pornô ou virar uma dessas mães escrotas?”

O comentário estava numa foto de Rotten com a filha de duas semanas. Ela não respondeu — Rotte diz que tenta não alimentar os trolls — mas comentários assim se tornaram rotina desde que a atriz pornô de 22 anos anunciou que estava grávida em maio passado

“Todo dia recebo os comentários mais ridículos”, ela me contou. “‘Que tipo de mãe você é?’, ‘Como você acha que sua filha vai se sentir quando os amigos dela falarem que viram a mãe dela dando para um monte de caras?’, ou ‘Como você vai criar uma criança se ganha a vida fazendo boquete?’ Um monte de idiotices, o dia inteiro, de todos os ângulos.”

Rotten parou de atuar em fevereiro de 2015, por causa da gravidez. Ela estava no auge da carreira; em 2014, ela foi a segunda mulher mais jovem a levar o prêmio de Atriz do Ano do AVN. Mas sua gravidez, ela me disse, mudou sua vida e sua carreira.

Segundo Mark Spiegler — um dos empresários mais importantes do pornô de Los Angeles, que representa gente como Rotten, Sasha Grey e Asa Akira – é “bem raro” que suas clientes fiquem grávidas. Mas quando ficam, a maioria sai da indústria. “Não tenho muito o que dizer sobre isso”, me disse Spiegler, “porque quando as garotas engravidam, elas geralmente param de fazer pornô”.

Quando a atriz pornô Dana Vespoli tinha 33 anos (ela é casada com o ator pornô Manuel Ferrara), ela decidiu que queria ter um filho. Mas quando ela e Ferrara começaram a tentar engravidar, isso afetou a maneira como ela abordava o trabalho: ela precisava arriscar menos com seu corpo.

Por exemplo, ela começou a fazer apenas cenas com mulheres e trabalhar com menos pessoas, já que “você está mais propensa a infecções quando há muita exposição a pessoas diferentes, floras diferentes”.

Vespoli, que está na indústria do entretenimento adulto há 11 anos, parou de atuar durante a maior parte da gravidez. Depois de ter o bebê, ela percebeu que voltar ao trabalho seria um desafio para seu corpo pós-parto. Atrizes pornôs usam seus corpos como instrumento de trabalho; mães usam seus corpos para nutrir e cuidar de seus filhos. Vespoli achou essa divisão muito difícil.

“Amamentei todos os meus filhos”, disse Vespoli, que agora é mãe de três, “e meu corpo não parecia inteiramente meu nessa época. Eu sentia que ele pertencia aos meus filhos. Eu não queria mais nada tocando meus seios, ou pegar uma DST e ter que tomar antibióticos. Isso é muito difícil para o bebê”.

Rotten disse sentir o mesmo: “Sou uma pessoa que entra de cabeça”, ela disse. “Ou entro de cabeça e sou uma atriz, ou entro de cabeça e sou mãe. Não posso ser as duas coisas.” Embora essa seja a trajetória padrão, também é possível capitalizar com a gravidez na indústria pornô. Sierra Simmons era caloura do Florida State Achei que menos pessoas veriam esses filmes, então fiquei menos preocupada que as pessoas descobrissem.”

Vespoli acabou voltando para a indústria do pornô, mas seu corpo não era mais o mesmo. Voltar a ficar em forma não foi problema, e seus filhos nasceram por cesária, então ela não tinha que se preocupar com problemas vaginais. Mas seus seios tinham mudado com a amamentação (“eles murcharam”, ela disse) então, quando seus gêmeos tinham dois anos, ela colocou silicone.

Desde que se tornou mãe, Rotten não tem planos de voltar à indústria como atriz. Ela investiu numa empresa de brinquedos eróticos e planeja fazer uma turnê de burlesco este ano. Enquanto isso, ela diz que descobriu um desejo de se estabelecer com a família, e que estar fora pornô tem sido prazeroso.

“É a sensação mais estranha do mundo”, ela diz, “mas é a melhor sensação do mundo”.

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Tradução: Marina Schnoor. Leia a matéria original no site da ‘Vice’

>Ver artigo original.

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