Sexo antes do beijo: como garotas de 15 anos estão lidando com garotos viciados em pornografia (Todah Elohim)

Sexo antes do beijo: como garotas de 15 anos estão lidando com garotos viciados em pornografia

Por Melinda Tankard Reist

O presente artigo traz à tona o quão prejudicial a pornografia pode ser em relação ao amor, sexualidade e relacionamento verdadeiros. Todas as informações ali encontradas são extremamente válidas para nos alertar sobre a realidade que o mundo como um todo enfrenta ao licenciar a pornografia. Porém, o texto, por não ser de autoria cristã, não se preocupa em revelar o verdadeiro propósito do sexo, bem como sua autoria. O Senhor criou o sexo para ser desfrutado dentro de um relacionamento que atenda aos moldes intencionados por Ele para que, por meio disso, Sua imagem possa ser espelhada e espalhada pela terra de modo que Ele seja glorificado. O sexo intencionado por Deus para ambos homem e mulher tem por modelo a relação entre Cristo e Sua Igreja, ou seja, o exemplo perfeito de um relacionamento que envolve amor, respeito, fidelidade e sacrifício. Portanto, quando se fala de sexo, ainda que na tentativa de valorizar o mesmo e proteger direitos humanos, sem que o verdadeiro Autor e propósito sejam mencionados, estamos inevitavelmente correndo o risco de fortalecermos o moralismo no qual o homem é o centro de todas as coisas, e não Deus. E isso está longe de ser aquilo que o Senhor espera de nós – 1Cor 10.31. (– Prefácio ao artigo por Tiago Neves, também tradutor do texto.)

“Eu quero uma melhor educação sexual para garotos e garotas, informação sobre pornografia e também sobre o modo como isso influencia práticas sexuais nocivas”.

Estas são as palavras de Lucy, 15 anos, uma das 600 mulheres e garotas australianas que participaram de uma pesquisa recém lançada encomendada por Plan Australia e Our Watch. A pesquisa, conduzida por Ipsos, reuniu respostas de garotas e jovens mulheres cujas idades variam entre 15 e 19 anos em todos os estados e territórios.

No relatório da pesquisa intitulada Não me envie esta foto!, os participantes relataram que o abuso e o assédio sexual online estavam se tornando uma parte normal de suas interações diárias. E enquanto este comportamento parecia tão comum, mais de 80% disseram que é inaceitável para os namorados pedirem fotos nas quais elas aparecem nuas.

Assédio sexual e bullying são parte da vida cotidiana de muitas garotas que crescem como sendo parte desta geração digital. Garotas jovens estão revelando cada vez mais como estas práticas têm ligações com a pornografia, pois isso as tem afetado diretamente.

A pornografia está moldando e condicionando as atitudes e comportamentos sexuais dos garotos, e as garotas estão sendo deixadas de fora e sem meios para lidar com esses garotos saturados pela pornografia.

Se ainda existem questões sobre se a pornografia tem um impacto nas atitudes e comportamentos sexuais de jovens, talvez seja hora de dar ouvidos aos próprios jovens. Garotas e jovens mulheres descrevem como os garotos as pressionam a fazer coisas inspiradas pela pornografia que eles consomem rotineiramente. As garotas contam que eles esperam que elas tolerem aquilo que elas mesmas não gostam.

Alguns veem o sexo apenas em termos de desempenho, onde o que mais conta é a diversão do garoto. Eu perguntei a uma garota de 15 anos sobre sua primeira experiência sexual, ao que ela respondeu: “Eu acho que meu corpo parecia OK. Aparentemente ele curtiu.” Ao que parece, muitas garotas foram privadas de seu próprio senso de prazer ou intimidade. O principal marcador de um “bom” encontro sexual seria tão somente se ele gostou. Garotas e jovens mulheres estão sob muita pressão para dar aos garotos e homens o que eles querem; para se tornarem uma encarnação na vida real daquilo que os garotos tem assistido na pornografia, adotando papéis e comportamentos exagerados e fornecendo seus corpos como meros objetos de alívio sexual. Crescendo na cultura pornográfica de hoje, as garotas rapidamente aprendem que são apenas postos de serviço para o prazer e gratificação dos homens.

Quando perguntada, “Como você sabe que um cara gosta de você?, uma garota da oitava séries respondeu: “Ele ainda quer falar com você depois que você faz sexo oral nele.” Um aluno do colegial disse a uma garota: “Se você fizer sexo oral em mim, eu te dou um beijo.” Espera-se que as garotas forneçam atos sexuais como símbolos de afeição e, com isso, elas são treinadas por garotos que fazem uso da pornografia. Uma garota de 15 anos disse que ela não gostava nem um pouco de sexo, mas que tirar isso logo do caminho [pela prática] era o único jeito de fazer com que seu namorado parasse de pressioná-la e assistisse a um filme com ela.

Garotas da sétima série estão cada vez mais buscando ajuda em relação ao que fazer a respeito de pedidos de imagens em que elas apareceriam nuas. Receber mensagens como “me manda uma foto de seus peitos” é quase uma ocorrência diária para muitas garotas, que se questionam “Como eu digo não se machucar os sentimentos dele?”

Conforme o relatório revela, as garotas estão cansadas de serem pressionadas por causa de imagens que elas não querem enviar, mas que se sentem compelidas a enviá-las de qualquer forma uma vez que tais práticas tem se tornado cada vez mais comuns. Os garotos, por sua vez, usam as imagens como uma moeda de troca que compartilham com seus amigos. Às vezes, eles ameaçam expor essas imagens ao público para humilhar as garotas caso haja um rompimento desagradável de relacionamento.

Garotas da sétima série têm feito perguntas sobre sujeição, sadismo e masoquismo. Muitas delas tem visto 50 Tons de Cinza, e perguntam “se um garoto quer me bater, me amarrar e me perseguir, isso significa que ele me ama?” Garotas têm tolerado comportamentos desrespeitáveis e humilhantes e, portanto, estão internalizando as mensagens da pornográfica sobre seu papel submisso.

As garotas tem sido apalpadas no pátio da escola, assediadas sexualmente no ônibus escolar enquanto voltam para suas casas. Elas têm dito que os garotos agem como se tivessem direito sobre seus corpos, como se elas existissem apenas para dar prazer a eles. Defensores da pornografia estão parcialmente corretos quando dizem que ela fornece educação sexual. Isso pode até ocorrer, mas não do jeito que eles pensam. A pornografia ensina aos garotos do colegial que as garotas estão ali apenas para seu prazer e que elas sempre estão dispostas e preparadas para o sexo. Para eles, não apenas significa me convença.

As garotas descrevem que são classificadas na escola com base em seus corpos, e que às vezes são comparadas à atrizes de filme pornô. Elas sabem que não podem competir, mas isso também não as impede de achar que tem que competir entre si. A procura por cirurgias genitais triplicou em pouco mais de uma década entre jovens mulheres com idade entre 15 e 19 anos. Garotas que não se submetem ao tipo de depilação inspirada pela pornografia geralmente são consideradas feias, sujas ou nojentas pelos garotos, e também por outras garotas.

Algumas sofrem ferimentos físicos provenientes de práticas inspiradas pela pornografia, incluindo o sexo anal. O diretor de um centro de violência doméstica em Gold Coast escreveu ao Collective Shout sobre o aumento de ferimentos relacionados à pornografia em garotas com idade à partir dos 14 anos provenientes de atos que incluem tortura:

“Nos últimos anos temos tido um enorme aumento nos estupros causados por parceiros íntimos em mulheres com idade entre 14 e até mais de 80 anos. O maior denominador comum é o consumo de pornografia pelo ofensor. Eles não sabem diferenciar a fantasia da realidade, crendo que as mulheres estão dispostas ao sexo 24 horas por dia, 7 dias na semana. Eles acreditam no mito de que ‘não significa sim e sim significa anal’. Estão cegos aos ferimentos causados e jamais levam o consenso em consideração. Temos visto um enorme aumento na provação da liberdade, ferimentos físicos, tortura, uso de drogas, filmagens e compartilhamento de gravações sem qualquer consentimento.”

A Australian Psychological Society estima que garotos adolescentes são responsáveis por cerca de 20% dos estupros de mulheres adultas e por algo entre 30 e 50% de todos os ataques sexuais relatados contra crianças. Semana passada, a Professora Emérita Freda Briggs argumentou que a pornografia online está transformando as crianças em cópias de predadores sexuais, que cobram de outras crianças aquilo que elas tem visto na pornografia.

Uma revisão de 2012 da pesquisa “The Impact of Internet Pornography on Adolescents” descobriu que o consumo de pornografia na internet por adolescentes estava ligado à mudanças de atitude, incluindo a aceitação da dominação masculina e submissão feminina como o principal paradigma sexual, com as mulheres sendo vistas como “brinquedos sexuais sedentas por satisfazer os desejos sexuais dos homens”. Os autores descobriam que “adolescentes que são intencionalmente expostos a material explícito de violência sexual tem 6 vezes mais chances de se tornarem sexualmente agressivos do que os que não tiveram as mesma exposição.”

A proliferação e a globalização de imagens hipersexualizadas e de temas pornográficos torna a exploração sexual saudável quase impossível. A conquista sexual e a dominação não tem o sabor do respeito, da intimidade e da autêntica conexão humana. Pessoas jovens não estão aprendendo sobre intimidade, amizade e amor, mas sobre crueldade e humilhação. Como um estudo recente descobriu:

“A transmissão online de pornografia esmagadoramente centrada em atos de violência e degradação em relação às mulheres, os comportamentos sexuais exemplificados na pornografia se desviam da intimidade e da ternura e tipificam construções patriarcais de masculinidade e feminilidade.”

São a intimidade e a ternura que muitas garotas e jovens mulheres dizem estar procurando. Mas como elas encontrarão estas experiências sensuais que queimam lentamente nos homens doutrinados pela pornografia? O psicólogo Philip Zimbardo diz o seguinte sobre os homens jovens: “Eles não conhecem a linguagem do contato cara a cara… Excitação constante, mudança e coisas do tipo faz com que eles percam a sincronização com relacionamentos que se desenvolvem lentamente – relacionamentos que são construídos lentamente.”

Mais importante ainda, é que os próprios jovens estão exigindo mudanças. Josie, 18, é citada no Plan Australia/Our Watch Report:

“Nós precisamos de algum tipo de interrupção na pornografia violenta que está atualmente disponível para garotos e homens. Este tipo de pornografia deveria ser ilegal de se praticar ou visualizar na Austrália, pois claramente temos um problema com a violência e os garotos estão assistindo muita pornografia que pode ser violenta… Isso está influenciando as atitudes dos homens em relação às mulheres e também aquilo que elas pensam que é aceitável. A pornografia violenta está se infiltrando nos relacionamentos australianos.”

Garotas como Lucy e Josie merecem nossa resposta. É errado deixar a informação sexual nas mãos da indústria global do sexo. Precisamos fazer mais para ajudar os jovens a permanecerem firmes contra noções distorcidas de sexualidade vistas na pornografia.

Fight the New Drug é a favor do amor e da sexualidade saudável. É por isso que somos contra a pornografia. Ela é cheia de ideais e crenças que são o completo oposto daquilo que relacionamentos, sexo e amor verdadeiros são. Relacionamentos saudáveis são construídos sobre a igualdade, honestidade, respeito e amor. Mas na pornografia, é o contrário; interações são baseadas na dominação, desrespeito, abuso, violência e desapego. Nossa geração é a primeira a lidar com o problema da pornografia nessa intensidade e proporção. E, como vemos na sociedade de hoje, se não nos posicionarmos, o problema vai ficar cada vez pior. Quando somos informados e entendemos os efeitos nocivos da pornografia, podemos fazer mudanças necessárias em nossas percepções sobre amor, sexo e relacionamentos.

>> Traduzido de FightTheNewDrug.org
>> Original em CollectiveShout.orgclass=”size-full wp-image-9295″ />

>Ver artigo original.

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