Horizonte Njinga Mbande recria drama de família
(Jornal de Angola)

Horizonte Njinga Mbande recria drama de família

“Hoje é comum os jovens, em especial as raparigas, serem abandonadas à sua sorte, o que as leva, muitas vezes, ao lado marginal da vida e terem de fazer de tudo para sobreviver”, justificou.

O papel da família na formação dos jovens volta a ser reconhecido e analisado pelo Horizonte Njinga Mbande, com a apresentação, no dia 3 de Abril, pelas 20h00 e às 21h30, no Hotel Epic Sana, do drama “A Rapariga da Marginal”.

Adriano de Melo

A peça, que estreou em 2003, é trazida novamente aos palcos por Adelino Caracol, mas agora com uma versão mais próxima da actual realidade do país e com novos actores. A maioria dos convidados para dar vida ao drama agora são figuras públicas da televisão ou da moda.

O encenador disse ontem, numa conferência de imprensa realizada no Hotel Diamante, em Luanda, que as mudanças na narrativa e nos actores são o resultado das mutações que o país atravessa em vários sectores sociais. “A própria Marginal já não é a mesma”, adiantou, para acrescentar que o foco do espectáculo é principalmente a família e o papel desta na educação dos adolescentes e jovens.

Numa primeira fase limitado a Luanda, o espectáculo volta a ser apresentando ao público nos dias 4, 6, 7, 8 e 9 de Abril no anfiteatro da escola Njinga Mbande. A ideia, contou, é tornar o espectáculo mais divulgado e próximo possível das pessoas, de forma a que estes comecem a reflectir sobre as mudanças do modernismo nos relacionamentos familiares.

A proposta de Adelino Caracol é uma reflexão sobre o momento actual, com base no desenvolvimento da própria sociedade. “Como vemos a família hoje e qual o seu papel na educação dos adolescentes. Hoje é comum os jovens, em especial as raparigas, serem abandonadas à sua sorte, o que as leva, muitas vezes, ao lado marginal da vida e terem de fazer de tudo para sobreviver”, justificou.

Para o encenador, o público deve ver a peça numa perspectiva distante da sugerida pelo seu título, “A Rapariga da Marginal”, por geralmente as remeter para a prostituição e outras práticas erradas. “É uma noção errada, que surge devido a um estereotipo, mas que precisa ser estudada e analisada para se entender as suas reais causas, ao invés de criticada.”

O convite aos novos protagonistas da peça, continuou, foi feito de forma a criar uma empatia mais forte entre os actores e o público, através de pessoas conhecidas do seu quotidiano e também para aproximar mais o teatro da televisão. Apesar de ser uma temporada curta de apenas uma semana, Adelino Caracol visiona uma maior união e interacção nesta versão da peça, que espera seja um legado às gerações vindouras.

A porta-voz do espectáculo, Dinamene Tavares, informou, durante a conferência de imprensa, que o público vai poder também rever algumas situações familiares e aprender, com o teatro, como analisar e, talvez, evitar certas situações no futuro. “Existem problemas sociais que o teatro pode ajudar a estudar e as mudanças do modernismo têm criado contextos diferente entre várias gerações”, adiantou. A alteração do espaço convencional do grupo, o anfiteatro da escola Njinga Mbande, para o Epic Sana, esclareceu, acontece para quebrar barreiras, porque “ainda existem pessoas que acreditam que o teatro é apenas feito para uma franja da sociedade”.

Os preços, acrescentou, variam devido ao espaço. Para o espectáculo no Epic Sana os bilhetes são vendidos ao preço de 4.000 kwanzas (normal) e 6.000 kwanzas (VIP). Porém, na exibição no seu anfiteatro o preço baixa para 2.000 kwanzas (normal) e 3.000 kwanzas (VIP).

A narrativa

A Rapariga da Marginal” conta a história de uma jovem, Sheila, oriunda de uma família conservadora e com um bom relacionamento com os pais, mas que acaba por ter problemas quando fica grávida de Ricardo e este não assume a sua ­responsabilidade.

Irados e desonrados os pais expulsam-na de casa e esta acaba por recorrer a uma amiga depois de ter sido abandonada por toda a família. Chana, a amiga, era uma prostituta que “trabalhava” na Marginal de Luanda. Ao procurar sustento para si, ela acaba por entrar num “mundo desconhecido”, que a leva situações complicadas.
Com a duração de uma hora, o espectáculo tem como actores David Enoque Caracol, Tânia Burity, Benvindo Magalhães, José Galiano, Jeremias Caracol, Nair Kizua, Rafaela Jeoveth, Catarina André, Rafael Moreira e Asfélcia Contreiras.

Alguns dos novos “rostos” da peça, convidados para a conferência de imprensa, como Tânia Burity consideram-na uma experiência nova e promissora, principalmente por os tirar do “grande ecrã” para os palcos.
A actriz, que tem já experiência de outros palcos, vê a sua participação como uma oportunidade de debater um tema actual e aprender mais sobre a arte de representar. Tânia Burity falou ainda da dificuldade de trabalhar com liberdade nos ensaios, por em televisão usar mais um guião. “A educação dos adolescentes é um problema de todos”, disse.

Rafaela Joeveth e Rafael Moreira, que também fazem a sua estreia nos palcos nacionais, concordaram com a “colega” e acrescentam que a questão não é apenas de nível nacional, mas também mundial e tem sido um dos grandes males à desestruturação das famílias angolanas.

>Ver artigo original.

Facebooktwittergoogle_plusredditpinterestlinkedinmail

Comentarios:

AlphaOmega Captcha Classica  –  Enter Security Code
     
 

*