Facebook é acusado de não retirar publicações com pornografia infantil (UOL/Folha)

Facebook é acusado de não retirar publicações com pornografia infantil

O Facebook é acusado pelo jornal britânico "Times" de falha em retirar do ar postagens contendo pornografia infantil, incluindo imagens e vídeos.

Por meio de um perfil falso, o jornal londrino disse ter alertado a gigante das redes sociais sobre a presença de conteúdo potencialmente ilegal postado no site por usuários, como imagens de um ataque sexual supostamente violento contra uma criança e desenhos que retratavam abusos contra menores. Mas muitas das imagens denunciadas, de acordo com o "Times", não foram removidas.

O Facebook atribuiu a falha a um erro humano e disse que seus moderadores deveriam ter percebido que o conteúdo precisava ser retirado.

Segundo Justin Osofsky, vice-presidente mundial de operações do Facebook, todas as imagens foram, agora, removidas, porque "elas violam nossas normas e não deveriam estar no Facebook".

Ele acrescentou que a empresa "lamenta que isso tenha acontecido". "Está claro que podemos fazer muito melhor, e continuaremos a trabalhar com afinco para atingir os elevados padrões que as pessoas esperam, corretamente, do Facebook".

O processo de moderação do Facebook começa pela denúncia de conteúdo como inapropriado por um usuário. O conteúdo entra em uma fila de posts denunciados —cerca de um milhão de denúncias são recebidas a cada dia— e é filtrado, inicialmente, por um algoritmo que determina o grau de urgência da denúncia.

As reclamações mais urgentes, como as que envolvem risco de suicídio ou abusos sexuais contra crianças, são colocadas pelo software no topo da lista para avaliação pelos moderadores humanos.

A empresa diz contar com milhares de moderadores humanos, localizados na Irlanda (em Dublin), nos Estados Unidos (na Califórnia e no Texas) e na Índia. A equipe, formada por pessoas que falam mais de 40 idiomas, trabalha 24 horas por dia e verifica milhões de denúncias a cada semana, a maioria em, no máximo, 24 horas.

"Estamos sempre em busca de outras maneiras de usar a automação para facilitar nosso trabalho, mas, na prática, a revisão de conteúdo acontece manualmente", disse Monica Bickert, responsável pela gestão mundial das normas de uso do Facebook, em uma entrevista anterior ao jornal "Financial Times".

CRÍTICAS

O Facebook tem enfrentado pressão crescente por seu envolvimento em questões politicamente delicadas, como a difusão de notícias falsas e o recrutamento de terroristas.

Políticos britânicos vêm criticando repetidamente o Facebook e o Google por não terem tomado providências para proibir a publicação de imagens abusivas, propaganda extremista e notícias falsas, e por sonegação de impostos.

O Reino Unido, porém, tem relutado, até o momento, em propor medidas legislativas para cuidar do problema. Amber Rudd, secretária do Interior britânica, está tentando convencer as plataformas de internet a se autopoliciarem de maneira mais rigorosa.

Em reunião no mês passado, Rudd pediu às empresas que investissem mais no combate a imagens de abusos contra crianças.

Um parlamentar do Partido Conservador britânico disse que a possibilidade de uma solução legislativa continuava a existir, ainda que outro membro do partido tenha apontado que a prioridade do calendário são os projetos de lei relacionados à saída britânica da União Europeia, o "brexit".

Alguns políticos também estão pressionando o Facebook e outras empresas para que enfraqueçam seus sistemas de criptografia. Ao mesmo tempo, Google, Facebook e Snap, a controladora do Snapchap, assumiram o compromisso de ampliar suas operações no Reino Unido, o que os partidários do "brexit" veem como voto de confiança na economia britânica.

As imagens reportadas pelo "Times" também foram encaminhadas à polícia metropolitana de Londres e à Agência Nacional de Combate ao Crime do Reino Unido.

"Todas as denúncias recebidas são avaliadas pela unidade de recepção on-line no centro nacional de combate ao terrorismo", afirmou a polícia metropolitana. "No que tange à investigação de crimes empresariais, no caso, isso caberia às autoridades dos Estados Unidos".

FORA DAS REDES

A despeito da natureza supostamente chocante das mais recentes imagens —que o "Financial Times" não viu—, a Internet Watch Foundation, uma organização sem fins lucrativos que vigia o conteúdo de internet, disse que as plataformas de mídia social hospedam apenas uma pequena minoria das imagens de abusos contra crianças disponíveis on-line.

"Em 2016, menos de 1% do conteúdo relacionado a abusos contra crianças foi encontrado em sites de mídia social", disse Susan Hargreaves, presidente da organização.

A fundação, que trabalha pela remoção de imagens criminosas de abusos sexuais contra crianças encontradas na internet, informou que, em 2015, recebeu pouco mais de duas mil denúncias sobre imagens de abuso sexual contra crianças no Facebook, e que as denúncias caíram a 1.116 em 2016.

"Nos dois anos, porém, a maioria do conteúdo em questão —99% e 98% dele, respectivamente— não foi classificado como imagens de abuso sexual contra crianças. No pequeno número de casos em que essa classificação foi usada, o Facebook removeu as imagens rapidamente quando notificado, em todos os casos em no máximo 24 horas", disse um porta-voz da Internet Watch Foundation.

NO BRASIL

Para Ricardo Pedreira, diretor-executivo da ANJ (Associação Nacional de Jornais), a sociedade vive um momento, no Brasil e no mundo, em que as fragilidades das redes sociais estão sendo expostas.

"A internet e as plataformas digitais são um avanço fenomenal em termos de circulação da informação, não há dúvidas sobre isso. Mas elas também criaram um território livre de inverdades, informações falsas e, como mostra a reportagem do ‘Times’, conteúdos perniciosos que preocupam a sociedade."

Nesse contexto, diz Pedreira, produtores de conteúdo de qualidade reforçam seu papel no mercado da comunicação. "Esses veículos, sejam jornais impressos, revistas ou televisivos, apresentam informações que são fruto de um trabalho profissional, dentro das legislações locais e com credibilidade."

Tradução de PAULO MIGLIACCI

>Ver artigo original.

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