O que falta fazer para que o género da vítima não altere as circunstâncias do abuso sexual? (Quebrar o Silêncio)

O que falta fazer para que o género da vítima não altere as circunstâncias do abuso sexual?

Há muito a fazer na área do abuso sexual masculino. Sempre que há um caso de uma professora que abusa sexualmente de um aluno, (como neste artigo do Correio da Manhã) parece haver um conjunto de leitores que desvaloriza por completo o caso de abuso, apontando o aluno como sortudo, fazendo troça da própria vítima e fazendo alusões que normalizam os casos de abuso de rapazes.

DESINFORMAÇÃO E IGNORÂNCIA INCENDIÁRIA

Por trás destes comentários há uma grande desinformação dos leitores como já falámos anteriormente. Mas ainda maior parece ser a necessidade de desvalorizar publicamente estes casos, propagando uma ignorância que além de ser nociva, contribui para que se torne mais difícil para um rapaz ou homem pedir ajuda.

RESPONSABILIDADE DE AJUDAR

Enquanto sociedade temos de cuidar dos seus membros; a existência de um movimentação colectiva que promove a normalização e a banalização dos casos de abuso sexual vai contra a própria ideia de sociedade. Há que criar um bem-estar para que, nos casos de abuso sexual que não se conseguiu prevenir, os rapazes e homens vítimas de abuso sexual se sintam capazes de pedir ajuda.

Com este tipo de comentários agressivos, está-se a contribuir para que os homens receiem poderem ser julgados se pedirem ajuda ou que as pessoas não vão acreditar na sua história. Além do abuso sexual de que foram vítimas, há uma voz forte que dificulta depois o acesso a aos serviços de apoio e também ao processo terapêutico.

A IDADE COMO DESCULPA

Muitos dos comentadores referem que um jovem com 14 anos “já sabe o que quer” e que por isso não é um caso de abuso sexual. O problema passa pela definição. Quando a definição de abuso sexual se prende exclusivamente com a idade cronológica, outros factores são ignorados, como o abuso de poder por parte da mulher adulta (como no caso da professora, cargo esse de responsabilidade e de protecção dos alunos), a assimetria de poder (da professora sobre o aluno), o eventual consentimento do rapaz não significa que tenha sido um consentimento neutro e informado, entre outras situações de coerção, chantagem, manipulação.

AVALIAÇÃO COM DUPLO PADRÃO

Em vários comentários também se nota uma aspereza e austeridade para com os rapazes vítimas de abuso sexual, por serem rapazes. Tal como diz Jennifer Marsh “temos de acabar com a ideia de que os rapazes estão sempre à procura de sexo e que por isso é correcto se uma mulher tiver relações sexuais com um rapaz”.

Quando se inverte o género da agressora e da vítima, parece haver uma igual inversão de opinião. Para muitos comentadores, já não é motivo de troça nem se deve desvalorizar quando se trata de um professor homem a abusar de uma aluna de 14 anos. Nesses casos, a aluna já não é sortuda, nem “com essa idade já sabe o que quer”. É vitima. É vítima de abuso sexual.

O que nos deixa a reflectir. O que falta fazer para que o género da vítima não seja factor que altere as circunstâncias do abuso sexual? E todas as vítimas de abuso sexual sejam vistos como vítima?

>Ver artigo original.

Facebooktwittergoogle_plusredditpinterestlinkedinmail

Comentarios:

AlphaOmega Captcha Classica  –  Enter Security Code
     
 

*