O impacto da pornografia sobre os meninos
(Igreja Hoje)

O impacto da pornografia sobre os meninos

Um grande desafio da educação atual

Por Sean Fitzpatrick

O diretor da escola onde estudei na minha adolescência era sempre muito reticente quanto à admissão de alunos que tinham sido expostos à pornografia.

Ele sabia que meninos que tinham contato com pornografia frequentemente tinham seu processo de educação prejudicado. Hoje sou diretor da mesma escola e estou cada vez mais convencido de que meu antigo diretor estava certo. A pornografia destrói a inocência própria de certos anos da vida do menino, um componente importante na sua educação – especialmente quando essa educação é fundamentada na pedagogia clássica do encanto, da imaginação e da satisfação. Além disso, estou cada vez mais convencido de que estou enfrentando uma crise que o meu antigo diretor não teve de enfrentar. Enquanto ele considerava a possibilidade de que algum menino talvez tivesse tido contato com pornografia, eu tenho de considerar a possibilidade de que todo menino já teve algum contato com pornografia.

A pornografia avançou muito nas últimas décadas. Há uma cena em um filme de Woody Allen da década de 70 em que ele examina e compra material pornográfico em uma banca de esquina. Ele é forçado a encarar as censuras de um balconista sem tato e o escrutínio de um cliente antipático. Esses dias já se foram. As revistas não ficam mais guardadas no topo das estantes. Já não é necessário fazer compras em público. Já não há mais evidências físicas. Tudo é anônimo, instantâneo e fácil. A grande disseminação da pornografia veio com os avanços da tecnologia da informação. Hoje temos a internet e, para muitos, internet é sinônimo de pornografia.

Não há dúvida de que desde o advento da internet a pornografia está amplamente mais acessível e mais difundida. Tornou-se uma tentação padrão, sistemática: um fato impregnado à vida das pessoas, especialmente à vida dos mais jovens – e, especificamente, à vida dos homens. Há inúmeras pesquisas que analisam o número de páginas de internet dedicadas à pornografia, seu poder viciante ou seu impacto nos relacionamentos, no corpo e no cérebro. Mas uma coisa é certa, mesmo sem dados científicos ou estudos acadêmicos: a pornografia da internet está prejudicando a vida e as mentes de possivelmente todos os meninos neste país, levantando obstáculos a sua capacidade para se tornarem virtuosos e sábios – em outras palavras, impedindo sua educação.

Supor que meninos em geral – e até mesmo meninos de boas famílias – não estão expostos a alguma forma de pornografia é ingenuidade. Em nossos dias, a presença da pornografia é um fato consumado. Ela tem sido amplamente difundida, de forma estratégica e insidiosa. A pornografia é inescapável, pois está imediatamente acessível. Está a apenas um clique de distância e, portanto, em todo lugar. Essa é a realidade que precisa ser encarada antes de ser combatida e a prudência requer que pais e educadores já levem em conta os efeitos da pornografia nos meninos de hoje. De forma intencional ou não, hoje em dia é difícil imaginar que a maioria dos meninos – senão todos – não tenha encontrado material pornográfico e não tenha se tornado vítima de suas mentiras.

Como qualquer mentira, a pornografia é inimiga da verdade e portanto inimiga de uma educação autêntica. A pornografia impede que o menino aceite e aprecie a educação pois cria uma barreira à imaginação ao entorpecer a capacidade de admiração e contemplação. Sem essa capacidade, a educação é, na melhor das hipóteses, manca. Sócrates ensinou que a capacidade de contemplar é o princípio da sabedoria, o pré-requisito para a educação. A pornografia fere a habilidade de contemplar por meio do desnudamento descarado de uma das fontes mais sagradas de admiração. Torna os garotos indiferentes à beleza, subtraindo dos meninos sua inocência por meio da eliminação dos mistérios do coração, prejudicando gravemente sua capacidade de sentir prazer e veneração pelo belo. Espíritos que perderam a sensibilidade não são maleáveis à formação. O cinismo logo se desenvolve como uma defesa. Os meninos finalmente são derrotados pela apatia em um mundo que não mais os encanta. A fantasia – ou a blasfêmia – do simulacro produzido pela pornografia traz consigo a perda do desejo pela realidade, fundamento de toda a educação. A educação por meio da exposição à realidade é uma ferramenta particularmente poderosa para educar meninos, já que os meninos são normalmente muito sensoriais e ativos. A experiência do mundo e seus mistérios é a arena da imaginação e da contemplação. A pornografia erradica o mistério e, sem mistério, os meninos perdem sua habilidade de admirar e, por conseguinte, de alcançar a sabedoria – principal finalidade da educação.

Evidentemente, a pornografia afeta garotos e homens com enorme força devido à particular fraqueza masculina para estímulos sexuais visuais. Mas, além disso, a pornografia também distorce o impulso masculino de exercer controle, transformando-a em um vício. A pornografia cria um falso mundo de supremacia masculina, distorcendo a balança da verdade – de atividade e passividade – que a educação introduz e fomenta. Homens têm uma natural predisposição para proteger a mulher, mas a pornografia introduz um elemento de violação da dignidade da mulher – quase um estupro – que destrói o senso do garoto de uma identidade essencial da masculinidade. Essas perversões no auto-conhecimento inibem o conhecimento das coisas do mundo exterior. Garotos aprendem bem por meio da experiência pessoal e, se essa experiência está deturpada, as demais experiências também sofrerão uma deturpação. Além disso, o senso hipertrofiado de domínio e manipulação que a pornografia cria pode provocar um bloqueio instintivo para a recepção de verdades supremas e sólidas. A realidade não pode ser escravizada como uma fantasia. Como consequência, a realidade é rejeitada tão logo se instala o gosto pela ilusão pornográfica.

O veneno da pornografia pode ser descrito como a mistura de um paradigma anti-masculino e uma propaganda anti-feminina. Graças a este veneno, a ilusão e a culpa estão amolecendo o caráter de nossos meninos. Como dizia meu antigo diretor, “você não pode esculpir numa gelatina”. Meninos sempre tiveram dificuldades com motivação e atenção. A pornografia agrava esses problemas ao conduzir os garotos a um mundo turvo onde eles, apenas eles, estão no controle. A escola tenta ajudar os meninos a saírem de si. A pornografia puxa-os para dentro de si, e depois de um tempo, acorrenta-os para mantê-los ali, presos em si mesmos e separados do mundo que eles estão chamados a conhecer como homens de garra e sensibilidade.

A pornografia retrata as mulheres como objetos sexuais descartáveis, distanciando os meninos da ideia de permanência. A educação, por outro lado, versa sobre coisas permanentes, eternas. Tudo aquilo que afasta de realidades transcendentes impede o trabalho da educação. Sem os mistérios da beleza e do amor intactos, surgem obstáculos graves para a educação, onde toda a atração é fruto do mistério e do desejo. A pornografia, e o acesso à pornografia, solapa os domínios mais sagrados da mente jovem e pode transformar qualquer objeto belo em algo dúbio e sujo, indigno de ser considerado seriamente, respeitado, admirado e venerado.

A pornografia mata a imaginação e o sentido do sagrado, tornando a educação algo ainda mais difícil do que já é, especialmente para os meninos. Os meninos buscam um sentido, especialmente na educação. Os danos e a insensibilidade causados pela pornografia impedem que meninos encontrem um caminho para fora da caverna das sombras, para fora de uma realidade virtual, para um mundo que Deus fez bom: um mundo cheio de sentido, repleto dos mistérios da beleza onde Ele pode ser encontrado e dar a verdadeira satisfação.

(Texto publicado em 31/10/2014 na revista Crisis Magazine.)
(Veja também os demais artigos da Coleção Igreja Hoje.)

>Ver artigo original.

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