Adolescentes começam vida sexual muito cedo
(Jornal de Angola)

Adolescentes começam vida sexual muito cedo

(NOTA: O fácil acesso à contracepção e ao aborto não fará nada para ajudar esses adolescentes preciosos a melhorar suas vidas!)

Cláudia Muhatili | Fotografia: José Cola | Edições Novembro

O estudo “Gravidez na Adolescência” no contexto da província de Luanda, apresentado por ocasião do Dia Mundial da População, assinalado a 11 de Julho, revela que 50 por cento dos adolescentes da província de Luanda começaram a sua actividade sexual muito cedo e que 48 por cento dos estudantes do primeiro ciclo já tiveram relações sexuais.

Lino Tchipembe, gestor de dados e programador da Tchikos Consultoria, que apresentou os resultados, disse que o objectivo do estudo foi medir a magnitude da experiência sexual, bem como o nível de gravidez entre adolescentes, além de avaliar a influência da vida familiar na sexualidade dos mesmos e explorar os factores psicossociais e a influência da escola e dos amigos.

Para o gestor, a recolha de dados, realizada no ano passado, permitiu constatar que o nível de gravidez na adolescência também está muito elevado, uma vez que se verificou que 34 por cento das raparigas já haviam tido uma gravidez. E nas adolescentes com idade inferior aos 15 anos de idade foi identificada uma prevalência alta entre as que possuíam 13 anos. A taxa apurada de maternidade na adolescência foi de 520 por mil gravidezes e a de aborto 479,5 por mil gravidezes.

“O estupro, sobretudo dentro do lar, é elevado. Dez por cento das adolescentes já sofreu algum estupro, muitas vezes, com o silêncio dos adultos”, afirmou Lino Tchipembe. “A estrutura de chefe da família e a ausência de progenitores, a não frequência da escola, a falta do uso da camisinha, entre outras questões, foram identificadas como factores relacionados com a gravidez entre adolescentes”, concluiu.

O ministro da Saúde disse que as raparigas se tornam mães e mulheres de forma precoce, com todos os riscos daí decorrentes.

Informou que, em Angola, segundo o Inquérito de Indicadores Múltiplos de Saúde, cujos resultados foram recentemente apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística, cerca de 65 por cento da população têm menos de 25 anos de idade e 48 por cento dela casam-se ou vivem em união de facto antes dos 18 anos. Avançou que a Organização das Nações Unidas destaca o direito das mulheres e que este tema é de particular importância, “pois toca num dos aspectos fundamentais para a redução do índice de mortalidade materna, a promoção do planeamento familiar e a garantia de acesso a métodos contraceptivos”, o que é, na óptica do governante, “essencial para a garantia e o bem estar e autonomia das famílias, ao mesmo tempo que tem um impacto na redução da pobreza.” Para Luís Gomes Sambo, o planeamento familiar é uma das componentes-chave para a redução da mortalidade materna e infantil, mas infelizmente, cerca de 40 por cento das mulheres não satisfazem as suas necessidades de planeamento familiar.

O responsável informou que o Ministério da Saúde está a desenvolver acções para melhorar a situação, o que passa pela elaboração de uma estratégia nacional de atenção integral à saúde das adolescentes e jovens, incluindo a revitalização do planeamento familiar no contexto do pacote de acções integradas da saúde materno-infantil, no âmbito da campanha acelerada para a redução da mortalidade materna.

O ministro avançou que o seu pelouro vai melhorar o acesso às informações e aos métodos de contracepção para que a população, sobretudo os adolescentes e jovens, possa dispor delas.

A representante do Fundo das Nações Unidas para a População, Florbela Fernandes, disse na ocasião que mais de 214 milhões de mulheres nos países em desenvolvimento carecem de métodos de planeamento familiar seguros.

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