É possível definir pornografia? (Press X)

É possível definir pornografia?

Num mundo repleto de subjetividade e de um sentido muito pessoal de prazer, será possível definir pornografia? Será o mesmo que os nossos antepassados consumiam?

Sabemos que a pornografia existe pelo menos desde a Antiguidade, uma vez que o próprio nome deriva dos termos pornae + graphos (significa “escrita de/sobre prostitutas). No entanto, a pornografia como a conhecemos hoje nada tem a ver com a visão naturalista e erótica do corpo humano nas sociedades antigas.

Existiam documentos gráficos e explícitos de atos sexuais no Antigo Egito (Papiro de Turin), e representações sexuais realistas em murais e artefactos gregos e romanos. No entanto, a pornografia atual tem implicações diferentes, uma vez que não se insere num contexto predominante de apreciação pelo erotismo e pelo nu (podemos questionar-nos se a visão romana se assemelhava a isto ou não, uma vez que a conotação de dominação sexual ultrapassava o erotismo e a admiração pela beleza do corpo humano).

A designação de Lynn Hunt para a pornografia atual, contém elementos interessantes e que nos fazem reflectir sobre a evolução do problema.

Hunt, segundo Shira, indica que a pornografia inclui:
– representação visual ou escrita de comportamentos sexuais, ou de partes de corpo sexualizadas;
– uma violação intencional de tabus morais e sociais;
– o objetivo de suscitar ou provocar sentimentos sexuais.

Tendo em conta estes pontos, conseguimos traçar um perfil bastante distinto de erotismo e pornografia. Os conteúdos pornográficos apresentam-se como agentes para a ação, transformadores e manipuladores de uma realidade em fantasia, com o objetivo de chocar e padronizar comportamentos sexuais.

A apreciação pela beleza do nu discreto, ou representativo, não é o ponto fulcral da pornografia. Os materiais pornográficos atuais baseiam-se numa economia de consumo voraz, sem interesse no bem-estar do consumidor. Os objetivos da pornografia são a repetição e a habituação.

Como o mecanismo de prazer do ser humano exige estímulos contínuos e diferentes, a pornografia apresenta sempre o fator novidade: mais perverso, mais exigente, mais tabu e sem medo de ferir susceptibilidades.

A pornografia apropria-se de sensações, emoções. O material pornográfico hoje é por isso subjetivo, na designação, mas perceptível na generalidade pelas características acima referidas.

O desafio é distanciarmo-nos do quadro emocional e sensitivo amplamente subjetivos, e enveredar por espaços de dignidade humana, saúde física e mental, e até aspetos relacionados com a moralidade. Só assim é possível perceber e conceber a pornografia, à luz de uma sociedade pornificada e com pouca sensibilidade.

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