Quem lê 50 Tons de Cinza tem mais chance de viver com homem controlador (Sempre Família)

Quem lê 50 Tons de Cinza tem mais chance de viver com homem controlador

Pesquisa da Universidade de Michigan mostra que mulheres que leram os livros da trilogia Cinquenta Tons de Cinza têm maior propensão a se relacionarem com homens abusivos, beber em excesso, ter distúrbios alimentares ou se envolverem com múltiplos parceiros

Jocelaine Santos

É difícil dizer até que ponto as leituras influenciam o comportamento das pessoas, mas é inegável que os livros que escolhemos ler podem dar pistas sobre o que somos e pensamos. Uma pesquisa da Universidade de Michigan coordenada pela pesquisadora Amy Bonomi e publicada no ano passado no Journal of Women’s Health mostra que mulheres que leram os livros da trilogia Cinquenta Tons de Cinza têm maior propensão a se relacionarem com homens abusivos, beber em excesso, ter distúrbios alimentares ou se envolverem com múltiplos parceiros.

Na pesquisa, foram ouvidas 655 mulheres norte-americanas com idades entre 18 e 24 anos. Desse total, 219 tinham lido ao menos o primeiro livro da trilogia. Elas foram questionadas, entre outras coisas, sobre possíveis envolvimentos com homens abusivos, hábitos alimentares, consumo de álcool e comportamento sexual.

O resultado do levantamento mostrou, por exemplo, que, entre as mulheres pesquisadas que não tinham lido nenhum livro da trilogia, apenas 8,5% tinham sido agredidas fisicamente por seus parceiros. Já entre as leitoras, o índice era de 21,1%. As não leitoras relataram menos casos de relações sexuais forçadas, 5,7%, contra 27,2% entre as que leram os livros. Mulheres que leram Cinquenta Tons de Cinza também têm maior histórico de envolvimento com parceiros controladores (67,5%) e que insultam (75,7%) do que as que não leram (33,9% e 37,8%, respectivamente).

Outro dado interessante é sobre o consumo de álcool e uso de dietas para emagrecimento. Das mulheres entrevistadas e que não leram os livros, 14,6% faziam algum tipo de dieta para perda de peso. Entre as que leram, a porcentagem chegou a 54,3%. Sobre o consumo de bebidas, as que leram disseram beber pelo menos 5 drinks em 6 ou mais dias durante um prazo de um mês, contra 14,6% das que não leram.

Influência

Os resultados da pesquisa sugerem que as leitoras tendem a ver com mais tolerância comportamentos abusivos dos parceiros. Em entrevista ao Business Insider, Amy Bonomi explicou que a pesquisa não aponta que a leitura de Cinquenta Tons de Cinza induza as mulheres a se submeteram a abusos ou comportamentos de risco, mas a mensagem do livro pode criar um contexto que torna “normal” – ou mesmo desejável – esses comportamentos. Isso dificulta que a mulher perceba que está sendo agredida ou se colocando em situações de risco.

Assim como acontece com obras pornográficas em geral, Cinquenta Tons, segundo Amy, estimula a manutenção de atitudes que sustentam a violência contra as mulheres. “Se se trata mesmo de uma obra de fantasia, precisamos trabalhar nossos jovens a ter um olhar crítico sobre esses livros”, diz.

Muitas mulheres veem na história de Anastasia Steele e Christian Grey um romance, mas as situações de abuso são evidentes. Anastasia possui comportamentos típicos de mulheres que sofrem violência, como ameaça constante, identidade alterada, anseios de normalidade na relação e sensação de aprisionamento.

“A representação da violência contra a mulher não é problemática em si mesma, especialmente no caso de representações que promovem o debate sério sobre esse tipo de caso”, esclarece Amy Bonomi. “O problema é quando a representação reforça a aceitação do status quo em vez de desafiá-la.”

A versão cinematográfica de Cinquenta Tons tentou suavizar algumas cenas descritas no livro e inseriu mais elementos que fortalecessem a ideia da existência de uma história de amor entre os protagonistas, mas isso não eliminou as situações de abuso. Para Amy, o que Hollywood fez foi romantizar um relacionamento abusivo altamente problemático.

>Ver artigo original.

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