Cafetina aplicava silicone industrial no corpo de travestis exploradas (Correio Braziliense)

Cafetina aplicava silicone industrial no corpo de travestis exploradas

Devido à pratica, uma das chefes da organização criminosa que aliciava transexuais para a prostituição vai responder por exercício ilegal da medicina

Lucas Vidigal – Especial para o Correio

Uma das suspeitas de cafetinagem presas na manhã desta terça-feira (26/9) na Operação Império vai responder também por exercício ilegal da medicina. Segundo as investigações, a acusada, que também é travesti, aplicava silicone industrial nas travestis que trabalhavam para ela.

De acordo com a delegada Elisabete Maria de Morais, da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação (Decrin), ela chegava a cobrar R$ 4 mil para a aplicação do material. As outras acusações — que recaem também sobre as outras nove cafetinas presas preventivamente, todas travestis — são: tráfico de pessoas, organização criminosa e rufianismo, nome dado à cafetinagem no Código Penal. Estima-se que ao menos 50 travestis estavam sob o comando do grupo desmantelado pela Polícia Civil.

De acordo com a delegada Elisabete, a cafetina aplicava o silicone no quadril das travestis e o mantinha restrito a essa parte do corpo por meio de um procedimento conhecido como “calcinha cirúrgica”. Depois, as transexuais precisavam passar até uma semana deitadas, de bruços, para garantir que o material não vazasse para outras regiões. Já os implantes nos seios e as cirurgias plásticas eram feitas em clínicas particulares.

A policial indica que travestis que trabalham com prostituição valorizam a presença de seios e glúteos fartos. Assim, as líderes do esquema atraíam as mulheres trans com a oferta desses procedimentos. As vítimas contraíam dívidas e passavam a ser exploradas para pagar o que deviam.

Cafetinas são vistas como modelo

A delegada diz que as transexuais exploradas têm dificuldade até mesmo de perceber que são exploradas, uma vez que vêm de um longo histórico de rejeição e falta de oportunidades. “As cafetinas eram vistas como modelo pelas jovens, que não encontravam ninguém para se espelhar enquanto eram discriminadas nas escolas e pelas famílias”, aponta.

De acordo com a Polícia Civil, as travestis, quando não eram ameaçadas, chegavam a manter relações afetivas com as líderes do esquema. Algumas prostitutas que conversaram com o Correio negaram que as cafetinas as explorassem.

Aplicação de risco

O uso de silicone industrial no corpo é de altíssimo risco. Além dos perigos de infecção durante a aplicação do produto, usuários podem desenvolver embolia e necrose de tecidos. O fácil acesso leva pessoas a procurarem o material para procedimentos geralmente caros ou não indicados por médicos. Há também registro da injeção do silicone em músculos do braço, por homens que tentam ganhar massa muscular mais rapidamente.

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