“É assim que as coisas se fazem” – realizador James Toback acusado de assédio por mais de 30 mulheres (Público‏)

"É assim que as coisas se fazem" – realizador James Toback acusado de assédio por mais de 30 mulheres

Nomeado para um Óscar, realizador de Robert Downey Jr. ou Nastassja Kinski, abordava actrizes ou candidatas a actrizes e forçava encontros em troca de possibilidades de trabalho.

JOANA AMARAL CARDOSO

O realizador e argumentista James Toback é o mais recente acusado de usar o seu poder para assediar e agredir sexualmente dezenas de mulheres em Hollywood. Mais de 30 mulheres disseram ao Los Angeles Times que Toback as abordava e usava a sua nomeação para um Óscar pelo argumento de Bugsy (1991) ou o seu currículo para pressionar mulheres que contratara, que abordara na rua ou que aspiravam a uma carreira.

Nome menos reconhecível do que o de Harvey Weinstein, há duas semanas no centro de um escândalo que desde logo prometia ter continuidade na indústria, Toback escreveu e escreveu e realizou O Ás do Engate (1987) ou Two Girls and a Guy (1997). Este ano, apresentou The Private Life of a Modern Woman, o seu mais recente filme, protagonizado por Sienna Miller, fora de competição no Festival de Veneza. Agora, aos 72 anos, nega as acusações de que é alvo e que vêm de nomes como o de Louise Post, guitarrista da banda Veruca Salt, ou da professora de artes dramáticas Karen Sklaire, bem como da escritora Sari Kamin ou da actriz Adrienne LaValley.

Os relatos têm em comum os actos alegadamente perpetrados por Toback ao longo de três décadas: uma abordagem que indicava que para trabalharem juntos teria de conhecer melhor as mulheres, que convidava para sua casa ou quartos de hotel; a conversa tornava-se mais sexual e, segundo relatam as várias alegadas vítimas ao Los Angeles Times, terminaria com Toback a masturbar-se ou a tentar roçar-se nas actrizes e candidatas a actrizes. Algumas vezes terá usado a força para obrigar as mulheres a permanecerem com ele.

“A forma como ele apresentava a coisa era tipo: ‘É assim que as coisas se fazem’”, como disse La Valley ao diário californiano sobre um encontro com o realizador em 2008. “Ele disse-me que adoraria masturbar-se enquanto olhava nos meus olhos”, recorda Louise Post sobre a abordagem de Toback em 1987, quando ainda era estudante universitária e acedeu a discutir oportunidades de carreira na casa do realizador de filmes com Robert Downey Jr. ou Nastassja Kinski, Rudolf Nureyev e Harvey Keitel (Revelação, 1983). “Ter ido ao apartamento dele tem sido fonte de vergonha para mim nos últimos 30 anos, por eu me ter deixado ser tão crédula.”

James Toback disse ao Los Angeles Times que nunca conheceu as mulheres que o jornal cita e que, se se encontrou com alguma delas, “foi por cinco minutos”, dizendo não se recordar desse contacto. Frisou ainda sofrer de diabetes e de problemas cardíacos para os quais está medicado, pelo que os actos de que é acusado seriam “biologicamente impossíveis” nos últimos 22 anos.

O Los Angeles Times, bem como os outros órgãos de informação que deram continuidade à nova denúncia, nota não só que a reputação de James Toback era já a de um “mulherengo”, mas também que o seu comportamento assediador tinha sido noticiado na década de 80 pela revista Spy. Mais recentemente, o site Gawker voltara a essa história.

Na sequência do escândalo Weinstein, encetado por uma investigação do jornal The New York Times e da revista New Yorker, surgiu uma onda de indignação e de novas denúncias de homens e mulheres vítimas de abusos de teor sexual por parte de homens em posições de poder na indústria do cinema e televisão, mas não só. Um hashtag, “Me Too” (“eu também”), gerou a partilha de histórias via redes sociais de pessoas que também passaram por situações de assédio – algumas delas visaram James Toback nos últimos dias, como foi o caso de Louise Post, mas outras partilhas tinham semanas ou meses. Vários colunistas têm escrito sobre como o escândalo Weinstein, num clima que parece mais favorável à denúncia de uma cultura de abuso e minoração sexual das mulheres, pode ajudar a mudar o panorama em Hollywood e noutros sectores. A advogada Gloria Allred previra já no The Washington Post que muitos nomes conhecidos seriam ainda acusados publicamente de assédio e violência sexual na indústria. Noutros sectores e noutros países, da restauração aos media, essas denúncias não têm parado.

Nos últimos dias, o presidente da Amazon Studios, Roy Price, acusado de assédio sexual por uma produtora, demitiu-se e novas alegadas vítimas de Weinstein – que estará numa clínica de reabilitação no Utah – têm vindo a público, entre elas a oscarizada Lupita Nyong’o. O actor Channing Tatum cancelou um filme sobre abuso sexual que iria ser produzido pela Weinstein Company. Duas das actrizes que dizem ter sido violadas por Weinstein, Rose McGowan e Asia Argento, saudaram via Twitter as denúncias sobre James Toback.

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