Anthony Bourdain acusa Tarantino de “cumplicidade” em escândalo de abusos sexuais (Público)

Anthony Bourdain acusa Tarantino de "cumplicidade" em escândalo de abusos sexuais

O conhecido chef critica o realizador por só agora admitir ter tido conhecimento do caso Weinstein.

CULTO

Anthony Bourdain acusou Quentin Tarantino de “cumplicidade” no escândalo de abusos sexuais que abala Hollywood. O conhecido chef e estrela de programas televisivos critica o realizador de Pulp Fiction de ter conhecimento, há muito, das acusações que pendiam sobre o influente produtor Harvey Weinstein

Actualmente, o cozinheiro namora com a actriz e realizadora Asia Argento, que faz parte da lista das mais de 60 mulheres que acusam o produtor de assédio e outros crimes sexuais, incluindo violação. A italiana acusa Weinstein de a ter violado quando tinha 21 anos, em 1997.
 
Recentemente, Tarantino admitiu: “Sabia o suficiente para fazer mais do que fiz.” O realizador referiu que sabia há décadas de algumas das atitudes do influente produtor de Hollywood e confessou que se sente envergonhado por não ter feito algo mais cedo.

Segundo a Variety, Bourdain falou de Tarantino porque recusou um negócio lucrativo sobre o qual ele e os seus sócios não se sentiam à vontade para assinar um acordo com uma determinada pessoa. Foi sobre esta circunstância que o cozinheiro deu o realizador como exemplo: “Era muito dinheiro”, confessou, mas o acordo “teria sido um veneno de acção lenta que corroiria as nossas almas até que terminássemos como Quentin Tarantino, olhando para uma vida de cumplicidade, vergonha e comprometimento”.

Na semana passada, o chef pronunciou-se contra o assédio sexual na restauração. Depois de cerca de 20 mulheres apresentarem queixas contra o chef executivo do Besh Restaurant Group, John Besh – obrigando o próprio a demitir-se –, Bourdain partilhou nas redes sociais o trabalho de investigação levado a cabo pela Nola.com e The Time-Picayune, anunciando “o princípio do fim da cultura institucionalizada de meatheads [brutamontes] na área da restauração”.

À luz de acusações como estas, incluindo de mulheres que conhece, o chef assume sentir alguma responsabilidade, lamentando não ter conseguido ver ou agir sobre determinadas situações. “Por que é que não fui o tipo de pessoa ou por que é que não fui visto como o tipo de pessoa com quem estas mulheres se poderiam sentir confortáveis? Vejo isto como um fracasso pessoal”, diz à Slate, lamentando não ter sido visto como “um aliado natural” das vítimas de abuso sexual.

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