Anthony Rapp acusou Kevin Spacey de abuso sexual e sobre a resposta de Spacey há várias coisas a reter (Quebrar o Silêncio)

Anthony Rapp acusou Kevin Spacey de abuso sexual e sobre a resposta de Spacey há várias coisas a reter

Anthony Rapp acusou Kevin Spacey de abuso sexual e sobre a resposta de Spacey há várias coisas a reter.

Spacey menciona que se se comportou como Rapp descreve, que deve um sincero pedido de desculpas. No entanto, a ideia de que “se eu me comportei na altura como ele (Anthony Rapp) descreve” reforça de algum modo a possibilidade de que a história de Rapp pode não corresponder à realidade.

É comum nos casos de abuso sexual incentivar o descrédito da vítima para desfortalecer a acusação, pelo que é fundamental que se acredite nas vítimas e se valorize a coragem e força necessárias para partilhar a sua história.

Spacey menciona ainda o seu “comportamento embriagado inapropriado” como desculpa. Em vários casos, o facto de estar embriagado é usado como atenuante do abuso, numa tentativa de desculpar o abuso. Da perspectiva da vítima sobrevivente, a sua experiência não deixa de ser menos traumática porque o agressor estava alcoolizado. É importante reter que quando se aceita atenuar a responsabilidade do agressor, está-se a desvalorizar a vítima.

O actor aproveita ainda o momento para assumir publicamente que já manteve relacionamentos com mulheres e com homens, e que actualmente “opta por viver como um homem gay”. Este assumir da sua orientação sexual desfoca a acusação de abuso sexual e muda o assunto. Promove ainda, de alguma forma, uma ligação entre a orientação sexual e a violência sexual. Esta relação contribui para alimentar o mito de que os agressores sexuais são todos homossexuais ou maioritariamente homossexuais. A orientação sexual do autor do abuso sexual não é vinculativa ou determinante no abuso. Também não há indícios de que um homem homossexual seja mais propício a cometer um acto de abuso sexual do que um homem heterossexual. Há estudos que sugerem que os agressores que abusam sexualmente de rapazes identificam-se, na maioria, como heterossexuais. E há indicadores de que, na altura em que cometeram o abuso, estavam numa relação adulta heterossexual.

Nestes momentos é importante fazer uma reflexão sobre a forma como são apresentadas e abordadas estas matérias. Nas sessões de sensibilização trabalhamos as questões de responsabilização dos agressores e não das vítimas. A culpa e responsabilidade é toda do agressor.

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