Aumentam no Cuando Cubango os casos de gravidez precoce (Jornal de Angola)

Aumentam no Cuando Cubango os casos de gravidez precoce

Ao todo, 423 casos de gravidez precoce foram registados, de Janeiro a Setembro do corrente ano, na Maternidade Provincial do Cuando Cubango, com realce para a faixa etária dos 15 aos 17 anos, informou quinta-feira, em Menongue, a directora da referida unidade hospitalar.

Weza Pascoal | Menongue – Fotografia: Weza Pascoal | Edições Novembro

Delfina Jamba, que falava em entrevista ao Jornal de Angola, considerou a falta de diálogo familiar como a principal causa da gravidez precoce na região.

Acrescentou que, infelizmente para muitos pais, falar com os filhos sobre relações sexuais ainda constitui tabu, o que faz com que muitos adolescentes, de ambos os sexos, dos 12 aos 17 anos, pratiquem relações sexuais sem prevenção, nem a mínima noção das consequências.

“A gravidez precoce está a contribuir negativamente para o progresso académico dos adolescentes na província do Cuando Cubango, tendo em vista que se registam cada vez mais casos de abandono escolar no seio da juventude, porque deixam de estudar para trabalhar e cuidar dos filhos”, disse.

Delfina Jamba referiu que a Maternidade Provincial do Cuando Cubango tem procurado sensibilizar as famílias, visando haver maior interacção com os adolescentes sobre educação sexual, tendo em conta as consequências negativas da gravidez precoce.

Segundo a directora, os casos de gravidez precoce têm estado a aumentar nos últimos tempos na província, porque em muitas áreas distantes a população não tem acesso a informações que podem ajudar a evitá-los.

Partos realizados
Delfina Jamba informou que de Janeiro a Setembro do corrente ano a Maternidade Provincial do Cuando Cubango realizou 1.778 partos, dos quais 95 nados mortos. No mesmo período foram realizadas 104 cesarianas e 25 cortes de transmissão vertical (programa que permite às seropositivas darem à luz bebés saudáveis), ao passo que 36 mulheres morreram durante o parto.

Referiu que 2.886 mulheres acorreram ao Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV), das quais 116 foram diagnosticadas com VIH/Sida.

O banco de urgência da maternidade provincial atendeu mais de cinco mil mulheres nas especialidades de ginecologia e obstetrícia e 2.676 internaram. Durante o período em referência, 2.085 mulheres acorreram à unidade sanitária para a consulta pré-natal e 2.678 aderiram ao programa de planeamento familiar.

Delfina Jamba realçou que a unidade sanitária tem atendido diariamente mais de 40 mulheres grávidas, graças ao trabalho que os meios de comunicação social têm levado a cabo, de sensibilizar as mulheres para aderirem à consulta pré natal, a partir do primeiro mês de gestação.

No Programa Alargado de Vacinação (PAV) foram vacinadas mais de três mil crianças, contra a poliomielite, febre-amarela, sarampo e hepatite B. A Maternidade Provincial tem capacidade para 45 camas de internamento e é assegurada por quatro médicos (dois angolanos, um de nacionalidade cubana e um coreano), 55 enfermeiros e 77 funcionários administrativos, segundo a directora Delfina Jamba.

A unidade hospitalar, acrescentou Delfina Jamba, conta com os serviços de consulta pré-natal, banco de urgência, planeamento familiar, programa alargado de vacinação, farmácia, laboratório, sala de parto, salas de internamento, lavandaria e uma cozinha devidamente equipada.

Delfina Jamba explicou que os serviços de estomatologia, raio x e neonatologia não funcionam na referida unidade sanitária por falta de equipamentos e técnicos especializados. Delfina Jamba apontou igualmente a falta de mais ambulâncias, tendo em conta que a Maternidade Provincial conta com apenas uma, bem como o número reduzido de recursos humanos, material gastável e fármacos como as principais dificuldades. Referiu que a unidade sanitária tem verbas para a aquisição dos fármacos, mas devido à demora das ordens de saque alguns fornecedores tendem a reduzir o abastecimento.

Mortes maternas
Questionada sobre os elevados casos de morte materna e de bebés manifestados pela comissão provincial de coordenação judicial, a directora Delfina Jamba disse que “há sim um número alto de mortes comparativamente ao ano passado, mas se compararmos com outras unidades sanitárias da região a Maternidade Provincial do Cuando Cubango ainda está num nível aceitável, tendo em conta que de Janeiro a Setembro do corrente ano foram registados 36 óbitos maternos e 95 nados mortos”.

Referiu que ainda existem muitas mulheres que se furtam às consultas pré-natais. Algumas recorrem ao tratamento tradicional e outras ainda insistem em realizar partos em casa. Acrescentou que os maiores números de mortes maternas registam-se por hemorragias, por partos realizados ao domicílio.

“Muitas mulheres teimam em realizar partos nas suas residências e quando chegam aqui já estão com falta de sangue e o nosso hospital raramente tem stock de sangue. Por isso, somos obrigados a recorrer aos familiares e nesta situação muitas das vezes acabamos por perder estas mães, devido à chegada tardia”, explicou.

Tomboco aposta na conversa de pais com os filhos sobre sexo
Um total de 400 casos de gravidez precoce foram registados durante o primeiro semestre do corrente ano, no Hospital Municipal do Tomboco, província do Zaire, o que representa um aumento de 50 notificações em comparação com o período homólogo de 2016.

O director-geral do hospital, José Tukebua Morais, mostrou-se preocupado com a subida de casos, a julgar pelo seu impacto negativo na vida das adolescentes, cujo combate da prática passa por palestras e campanhas de sensibilização.

José Tukebua Morais disse que além de uma intervenção institucional, os pais e encarregados de educação têm também um papel crucial a desempenhar, para banir este mal que afecta adolescentes da região, com idades compreendidas entre os 14 e 17 anos.

“As famílias têm um papel decisivo para inverter este quadro, através de um diálogo permanente com os filhos sobre a educação sexual”, disse José Tukebua Morais.

O Hospital Municipal do Tomboco, cerca de 150 quilómetros da cidade de Mbanza Kongo, funciona com sete médicos e 42 enfermeiros.

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