Maureen O’Hara já se queixava de assédio em Hollywood… há 70 anos (Público)

Maureen O'Hara já se queixava de assédio em Hollywood... há 70 anos

Farta dos avanços indesejados de produtores e realizadores, a actriz disse em 1945 ao The Mirror que esteve pronta para abandonar a indústria de cinema.

Mais de 70 anos antes do escândalo de assédio sexual que abanou Hollywood no último mês, a estrela de cinema irlandesa Maureen O’Hara queixava-se do comportamento dos produtores e realizadores de Hollywood, em entrevista ao The Mirror. O excerto do jornal de 1945 foi partilhado pelo pianista James Rhodes, no Twitter, e rapidamente tornou-se viral.

A icónica actriz da época de ouro de Hollywood tinha, na altura, 25 anos e tomou uma posição assertiva, denunciando os rumores que lançavam sobre si, por se recusar por exemplo a ter relações sexuais e a beijar o produtor ou realizador todas as manhãs. Em retaliação, chamavam-lhe “uma batata fria sem sex appeal”.

“Sou uma vítima indefesa de uma campanha de sussurros de Hollywood. Estou tão chateada com isto que estou pronta para desistir de Hollywood. Tornou-se tão mau que odeio ir para o trabalho de manhã”, desabafou a actriz a um repórter do The Mirror. “Parece que Hollywood não me vai considerar nada excepto um bocado frio de mármore até eu me divorciar do meu marido, der o meu bebé e colocar o meu nome e fotografia em todos os jornais. Se essa é a ideia que Hollywood tem de mim como mulher estou pronta para desistir agora”, acrescentou.

Em 2004, O’Hara voltou a pronunciar-se contra a cultura de sexismo de Hollywood, desta vez proferindo, em entrevista ao Daily Telegraph, o nome do realizador John Ford – com quem trabalhou em mais do que um filme, incluindo O Homem Tranquilo –, e dos actores Errol Flynn e Howard Hughes.

“Não me atirava para o sofá [casting couch] e sei que isso me custou alguns papéis. Não ia fazer de prostituta”, disse na altura a actriz, relembrando alguns dos episódios mais infames, como o grande estalo que Ford lhe deu durante uma festa e as humilhações pelas quais a fazia passar durante as gravações – resultado da frustração que sentia por não ver o seu desejo pela actriz correspondido.

“Ele amava-a, mas não a podia ter. Ele era demasiado velho para ela e percebia que ela não queria uma relação amorosa. Por isso ele venerava-a e abusava dela, descarregando a sua paixão através da forma como filmava”, escreve o Daily Telegraph.

Concretamente, O’Hara fala de uma das cenas de O Homem Tranquilo (1952), em que o protagonista John Wayne a arrasta pelos cabelos num campo. “Aquilo era estrume verdadeiro. Ele era o maior diabo, o John Ford. Ele pôs tanto estrume quanto possível naquele campo e depois certificou-se de que eu estava coberta com aquilo pelo final do dia. Oh, ainda consigo cheirar aquela coisa horrível”, contou.

Perseguida por várias figuras de Hollywood, O’Hara é descrita pelo jornal britânico como uma “dama corajosa, que apreciava uma boa luta à frente do ecrã e na vida real”. Questionada sobre por que permaneceu impávida depois de Ford lhe ter dado um estalo, a actriz disse que queria mostrar-lhe como era capaz de levar um murro.

O’Hara morreu em 2015 (com 95 anos) e teve uma longa carreira no cinema, tendo participado em mais de 60 filme até ao final da década de 1990. Recentemente foi reconhecida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, com um prémio honorário. Protagonizou filmes como O Vale Era Verde (vencedor de quatro Óscares, inclusive o de melhor filme) e As Duas Gémeas (The Parent Trap), que foi readaptado em 1998 – desta vez com Lindsay Lohan a fazer o papel de duas gémeas separadas à nascença, que se conhecem num campo de férias e decidem trocar de lugar.

>Ver artigo original.

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