A sexualização de Millie Bobby Brown e Finn Wolfhard, de Stranger Things acende o alerta vermelho (Medium/Fernanda Aguiar)

A sexualização de Millie Bobby Brown e Finn Wolfhard, de Stranger Things acende o alerta vermelho

A sociedade precisa proteger crianças, não sexualizá-las

Texto de Fernanda Aguiar

Strange Things 2 estreou na Netflix dia 27 de outubro, e desde então o elenco infantil vem sofrendo com intenso assédio do público e da sexualização precoce.

Eleven, interpretada pela atriz mirim, Millie Bobby Brown de 13 anos, em uma recente aparição, chamou a atenção pela forma adultizada que ela se mostrou. Vestido de couro, saltos, maquiagem e uma expressão blasé que é frequente em mulheres que querem expressar sensualidade. No ano anterior, ela era apenas uma menina em vestidos rodados. Hoje a forma como ela foi mostrada na mídia retrata que para a sociedade há uma necessidade doentia de fazer meninas crescerem antes do tempo.

A revista W Magazine colocou em sua capa a chamada: “porque a TV está mais sexy do que nunca?”, incluindo o nome de Milly no meio de atrizes adultas. Apesar da matéria em que ela aparece não falar sobre sexualização, o público que ver a capa irá associar sensualidade feminina a uma menina de apenas 13 anos. O subconsciente, vai fazer essa associação.

Ela não é a primeira atriz a sofrer com a adultização e sexualização precoce. Um dos casos mais emblemáticos e talvez pouco conhecido, foi da atriz Brooke Shields, que aos 10 anos de idade, foi fotografada completamente nua, cheia de óleo pelo corpo em uma banheira. Mais tarde ela fez um filme chamado “Pretty Baby”, onde ela era uma “prostituta mirim” e tinha sua virgindade leiloada, ela tinha somente 12 anos de idade. Em seu filme mais famoso, Lagoa Azul, ela ainda era menor de idade.

Muitos usam o argumento que elas amadurecem mais cedo, mas isso é só uma desculpa para sexualizar meninas. Como se a menarca, ou a puberdade fosse um aval para a sexualidade. Elas não amadurem mais rápido, elas são erotizadas mais cedo.

A sociedade está pornificada. Em 2016, o levantamento do PornHub, mostrou que “teen” ou novinha como é chamado aqui no Brasil foi a 4° categoria mais buscada no mundo todo, de um total de 23 bilhões de visitas. Podemos concluir que a preferência por meninas é extremamente preocupante. Se considerarmos que o teen, na pornografia são mulheres produzidas para parecerem meninas, podemos dizer que milhões de homens tem preferência por uma “pornografia infantil legalizada”, por assim dizer.

“Vivemos em uma cultura que sexualiza crianças e infantiliza mulheres adultas para a gratificação dos homens”.
– Anderson, 1989, p. 7

Meninos do elenco também estão sendo sexualizados e objetivados. Finn Wolfhard, o ator que faz o Mike, pediu para que os fãs parem de chamá-lo de “Daddy” (papai).

“A qualquer pessoa que esteja vendo isso e que é meu fã, você é ótimo, mas pare de me chamar de “daddy” isso é um pouco estranho.”

Sim, tão errado que se chama pedofilia.

Uma modelo, Ali Michael, de 27 anos, compartilhou uma foto de Finn, dizendo para ele a procurar daqui a 4 anos.

Logo depois, de surgir vários comentários dizendo que seu post era desagradável e que ela sexualizava crianças, ela se desculpou dizendo que era uma “brincadeira.”

O Finn , reagiu ao comentário da modelo de 27 anos que queria que ele a procurasse em quatro anos, deixando claro que ele achou as observações fora de propósito.

A socialização masculina, faz com que meninos tenham que ser sempre os pegadores. Esse acontecimento fez surgir boatos sobre a sexualidade de Finn. Muitos falando que ele seria gay, pois não gostou de uma mulher adulta assediá-lo, o que pra muitos isso seria um absurdo.

A masculinidade é criada através, de esteriótipos de domínio. Do macho que pega todas as mulheres, que nunca diz não pra nenhuma transa, que trata mulheres como objetos. Quando um menino é assediado ou abusado por uma mulher, todo o abuso é visto como um prêmio e a vítima como alguém que recebeu algo que todos queriam. Sua dor é minimizada.

MC Doguinha, de 12 anos é o exemplo mais recente que a sexualização de meninos, é vista como uma coisa boa. Um aprendizado, ou até mesmo um presente. Em seu clipe,”Vem e Brota Aqui na Base”, que já tem quase 6 milhões de visualizações no YouTube. No clipe ele está rodeado de mulheres, ostentando carros e fazendo pose de macho alfa.

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Ao mesmo tempo que estávamos questionando a pedofilia em museus, Doguinha era incentivado e aplaudido pelo seu comportamento sexualizado. Meninos negros também precisam de proteção, mesmo que a sociedade racista veja eles como pequenos adultos responsáveis por seus atos. Tanto na sexualização, quanto um menino negro pobre que rouba pra comer, culpando ele pela sua própria pobreza e desespero e não culpando uma sociedade de classes que o exclui. Eles ainda são crianças e essa celebração pela sexualização de meninos é prejudicial como a sexualização das meninas.

Ainda há um longo caminho a percorrer. O Brasil ainda tem casamentos infantis. Onde aquela “novinha”, que é uma criança, é vista como “já aguenta”, onde o abuso de meninos é celebrado e incentivado. Onde 70% dos abusos infanto juvenis ocorre dentro da própria casa, onde a idade média do primeiro assédio é de 9,7 anos.

Proteção integral da criança e do adolescente é responsabilidade de todos.

Não adianta bradar aos quatro ventos o quanto você repudia a pedofilia, pornografia infantil e continuar sexualizando corpos infantis. Crianças só precisam ser crianças. Só precisam de proteção para crescerem adultos saudáveis.

“É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.”

>Ver artigo original.

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