Líder da falsa seita de Palmela que abusava de crianças condenado a pena de 23 anos (Público)

Líder da falsa seita de Palmela que abusava de crianças condenado a pena de 23 anos

Vítimas eram sete rapazes entre os cinco e os 14 anos de idade, e ainda um adolescente.

ANA DIAS CORDEIRO | Foto: RUI GAUDÊNCIO

O Tribunal de Setúbal condenou a uma pena de 23 anos de prisão o principal arguido no processo de abusos sexuais de oito crianças em Palmela. A pena resulta do cúmulo jurídico de dezenas de crimes do líder da falsa seita “Verdade Celestial”.

Rui Pedro tinha 34 anos quando praticou os crimes, primeiro numa casa em Setúbal e depois no anexo de uma quinta na aldeia de Brejos do Assa, no concelho de Palmela. Sete rapazes entre os cinco e os 14 anos e um adolescente nascido em 1999 foram abusados entre 2013 e 2015. Na quinta, o principal arguido, que dizia ser psicólogo, oferecia-se para ajudar os jovens e organizava actividades de tempos livres, atraindo as crianças para sua casa, onde muitas vezes pernoitavam.

O colectivo de juízes considerou como provados vários crimes entre as dezenas que eram imputados a Rui Pedro e aos restantes arguidos. Além do líder da falsa seita, outros quatro homens e três mulheres estavam acusados de centenas de crimes de abuso sexual de crianças, crimes de violação agravada, actos sexuais com adolescentes, lenocínio agravado e pornografia infantil agravada. Apenas um tinha antecedentes por crime de pornografia infantil agravada, pelo qual cumpre uma pena de prisão. Os cinco homens estavam em prisão preventiva e as três mulheres encontravam-se com uma medida de coacção de Termo de Identidade e Residência.

O tribunal considerou que todos os adultos sabiam que as crianças tinham menos de 14 anos e um tinha menos de 16 anos, e ainda que Rui Pedro se aproveitou da ingenuidade das crianças para as assustar, apresentando-se como representante de um deus na terra a quem todos os que pertenciam à Verdade Celestial deviam obediência.

Um dos arguidos, André Marques, saiu da quinta no dia 8 de Junho de 2015 e dirigiu-se à Polícia Judiciária, onde denunciou o que lá acontecia. Duas semanas depois, a PJ entrou na casa, fez detenções e apreendeu um vasto material informático.

O arguido que denunciou a situação foi condenado a 19 anos de prisão. O tribunal considerou que a denúncia de André Marques não foi feita em beneficio das crianças mas sim “para salvar a sua pele”, e que teve muitas oportunidades para o fazer antes de Junho de 2015.

Outros dois homens, Bruno Fernandes e David Martins, foram condenados, respectivamente, a oito anos e quatro meses e a sete anos de prisão.

Das três mulheres que tinham sido constituídas arguidas, duas foram absolvidas e uma, Nádia Campos, foi condenada a sete anos e oitos meses de cadeia.

Nota: notícia corrigida. Uma primeira versão indicava incorrectamente que o principal arguido tinha sido condenado a 25 anos de prisão.

>Ver artigo original.

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