Adolescentes com 17 e 19 anos já tiveram dois a três partos (Jornal de Angola)

Adolescentes com 17 e 19 anos já tiveram dois a três partos

Muitas adolescentes angolanas entre os 17 e 19 anos, residentes em Luanda, consultadas na área ambulatória da Maternidade Lucrécia Paim, revelaram que já tiveram de dois a três partos, e um grande número acarreta doenças de transmissão sexual, uma situação que preocupa a instituição sanitária.

José Meireles | Fotografia: Santos Pedro|Edições Novembro

Eunice Chongolola, responsável do atendimento ambulatório, disse ao Jornal de Angola que o número de menores atendidas nas consultas infanto-juvenis de alto risco, afectas à Maternidade Lucrécia Paim, em Luanda, cresce a cada dia que passa e as idades da população-alvo variam entre os dez e os 19 anos.

A nível das consultas infanto-juveniis de alto risco para a adolescência, verifica-se que o número de pacientes que procura pelos serviços está a aumentar a cada dia que passa, chegando a cifra a atingir uma média de dez doentes adolescentes por dia, cujas idades vão dos dez aos 19 anos.

Durante o mês de Novembro e até à primeira quinzena de Dezembro, a unidade registou um aumento das idades das adolescentes, passando de 14 para 19 anos e notou-se que muitas dessas jovens, entre os 17 e 19 anos, já tiveram de dois ou três partos.

Na faixa etária dos 14 e 15 anos, muitas já têm pelo menos um filho, numa escala onde predominam cada vez mais menores entre os dez e os 15 anos e às vezes entre os dez e os 12 anos. “Mas, a maior afluência às consultas verifica-se nas jovens entre os 17 e 19, anos muitas delas com dois ou três partos. O número está realmente a aumentar, tornando a situação preocupante”.

Interrogada se existe alguma explicação para o fenómeno de gestação precoce e a sua relação com a avalancha de casos de doenças sexualmente transmissíveis, a médica disse tratar-se de “um fenómeno conjuntural”.

Em seu entender, da mes­ma forma que se “diagnostica que o maior número de casos de VIH está no seio das adolescentes que praticam relações sexuais desprevenidas, não surpreende que apareçam também casos com gestações precoces”. O fenómeno não é bom, disse Eunice Chongolola, para quem se está diante de “um problema de saúde pública”. “Temos de começar a tomar algumas medidas. Estratégias existem, mas temos que reforçá-las”, admitiu a médica.

A julgar pelo crescente número de adolescentes que engravida precocemente, no seio dessa população-alvo o recrudescimento de doenças de transmissão sexual, com maior incidência para o VIH, Eunice Chongolola acredita que “a mensagem não está a chegar à adolescência, como devia ser”. “Conjuntamente com a gravidez indesejável, chegam também as doenças de transmissão sexual”, esclareceu a médica obstétrica.

Para a médica, o combate que se pretende encetar para diminuir a incidência de gravidez precoce e doenças de transmissão sexual tem de ser feita numa vertente para fazer perceber às adolescentes até onde e quando podem começar a ter a sua actividade sexual. “Ninguém está proibido de ter relações sexuais, mas temos de ter a certeza de que elas (as adolescentes) sabem como fazer e qual é a orientação que têm para isso. Tudo também tem a sua idade”.

A sociedade civil (nós os médicos e as igrejas) acho que vai ser uma luta multissectorial, disse Eunice Chongolola.

Durante o presente ano, uma boa parte dos partos ocorridos na Maternidade Lucrécia Paim, quase uma média de 25 por cento, foram realizados em adolescentes, disse a médica Eunice Chongolola.

Apesar de reconhecer que todas as unidades hospitalares enfrentam os mesmos problemas e por via disso, merecem da parte das autoridades melhor atenção, Eunice Chongolola, gostava de ver elevada um pouco mais a atenção à Maternidade Lucrécia Paim, por ter serviços de pediatria e de maternidade.

Anemia é a principal patologia que afecta as jovens com gravidez

A anemia é a principal patologia que acompanha as jovens com gravidez precoce, disse a médica. Segundo ela, a maior parte dos casos acontecem porque as adolescentes não têm estruturas físicas suficientes, não estão maduras sexualmente, o que faz aumentar a incidência e o índice de partos por cesarianas na Maternidade Lucrécia Paim.
A maior parte das adolescentes com gravidez precoce que procura os serviços da Maternidade Lucrécia Paim tem patologia devido à própria gestação e uma delas é a anemia.
Segundo a especialista, a mulher gestante afectada por anemia, acaba por ter uma gravidez de risco, na medida em que a sua idade não foi descrita para ter uma gravidez fisiologia, dai o cuidado a ter com ela ser a dobrar. No caso de a paciente ser submetida a seguimento pré-natal específico para adolescentes, aí se define se ela pode ter o parto por via normal ou por cesariana e antecipadamente preparar-se as devidas condições. “O importante é termos um bom desfecho materno fetal”, disse.

“Ao longo das consultas vamos saber qual é o tipo de parto que a mulher pode ter; se são bebés grandes ou pequenos. Se a mãe tiver 12, 13 ou 14 anos, então já sabemos que quando chegar a altura de realizar o parto, a cesariana está indicada”.

A médica diz ser esse o caminho indicado a efectuar com as adolescentes com gravidez precoce, porque na sua maioria são mulheres com baixas estrutura física e com pouco peso, razão pela qual têm sempre um diagnóstico prévio a fazer para uma melhor partorização dessas miúdas.

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