A indústria cinematográfica de Hollywood nunca mais será a mesma após a onda de denúncias de assédio sexual que derrubou alguns de seus nomes mais poderosos (O Sul)

A indústria cinematográfica de Hollywood nunca mais será a mesma após a onda de denúncias de assédio sexual que derrubou alguns de seus nomes mais poderosos

Efeito cascata: Harvey Weinstein, Louis C.K., Kevin Spacey e James Toback, foram acusados diversas vezes de assédio sexual em 2017. (Foto: Reprodução)

O ano começou com uma bem intencionada Academia de Artes e Ciências Cinematográficas batendo recordes de indicações ao Oscar para atores e profissionais negros, uma resposta a críticas a edições anteriores sem quase nenhum negro nas principais categorias.

As boas intenções deram lugar ao maior mico já visto numa cerimônia de Oscar quando, no palco do Dolby Theater, Warren Beatty e Faye Dunaway anunciaram como melhor filme “La la land: cantando estações” no lugar do real vencedor, “Moonlight: sob a luz do luar”, erro desfeito com o diretor do musical, Damien Chazelle, já no palco inciando o agradecimento.

E os créditos finais de 2017 têm como protagonista uma sombria e aparentemente interminável onda de denúncias de assédio sexual que maculou a história de Hollywood.

A história começou em outubro, com a publicação de reportagens no “ The New York Times” e na “New Yorker” de denúncias contra Harvey Weinstein, um dos mais poderosos produtores da indústria, por nomes do quilate de Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow.

Os relatos revelavam que ele agia como um assediador sexual em série ao ameaçar atrizes e modelos e constrangê-las a massageá-lo, a praticar sexo oral nele e a dormir em sua companhia.

O magnata tentou se defender com advogados e especialistas em gerenciamento de crise. Não teve jeito: Weinstein foi expulso de sua produtora e de importantes instituições, como a própria Academia e o Sindicato dos Produtores. E teve o nome retirado dos créditos de filmes e séries que produziu.

Vieram à tona mais casos contra o próprio Weinstein e contra novos acusados, como o ator Kevin Spacey, o comediante Louis C.K., o diretor James Toback e muitos outros. Mais e mais mulheres e homens se sentiram encorajados a contar publicamente como viraram vítimas de assédio, entre elas Rose McGowan, Ashley Judd e Lupita Nyong’o.

Os detalhes chocaram o mundo e causaram efeitos imediatos. Kevin Spacey, acusado de assediar o ator Anthony Rapp quando este tinha 14 anos, foi demitido de “House of Cards”, cujas gravações da sexta e última temporada já estavam em curso.

Os roteiristas reescreveram os episódios, que, agora, focam a personagem de Robin Wright. Spacey também foi retirado do filme “Todo o dinheiro do mundo”, de Ridley Scott, e substituído por Christopher Plummer.

Os relatos dolorosos resultaram num legado positivo: mulheres e homens mostraram que não sofrerão em silêncio humilhações no trabalho. Hollywood nunca mais será a mesma.

Bilheterias

Nas telas americanas, o cinema de super-heróis fez sua revolução com o sucesso (de crítica e público) “Mulher-Maravilha”, que colocou uma super-heroína no centro da trama. No Brasil, entre os filmes mais vistos e rentáveis, figura apenas uma produção nacional: “Minha mãe é uma peça 2”. Mesmo lançada no fim de 2016, a comédia com Paulo Gustavo ficou em nono lugar no ranking geral, vendendo 5,2 milhões de ingressos, segundo a Ancine (Agência Nacional de Cinema).

As comédias, aliás, perderam um pouco da graça para o público brasileiro. Ainda que continue sendo o gênero preferido entre os brasileiros, nenhuma (com exceção de “Minha mãe…”) rendeu mais de 1 milhão de ingressos, marca relativamente fácil no passado. Entre os títulos nacionais mais vistos estão o thriller “Polícia Federal — A lei é para todos”, com 1,3 milhão de ingressos vendidos, e o infantil “D.P.A. — Detetives do Prédio Azul”, com 1,2 milhão.

Vale notar também que a frequência aos filmes brasileiros caiu cerca de 40%, de acordo com a Ancine, apesar do aumento de 5% no número de títulos lançados. Os estrangeiros, por sua vez, registraram aumento de público de 5%, embora o número de títulos lançados tenha caído 4%. Isso sem considerar as três últimas semanas do ano (ainda não computadas).

Segundo projeção do Filme B, que monitora o setor, o mercado em geral vai fechar com renda de R$ 2,7 bilhões, 3% a mais do que 2016, e público de 181 milhões, 2,2% a menos do que ano passado.

>Ver artigo original.

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