Apagão nos Globos de Ouro: os actores estiveram de luto ou em luta? (Público)

Apagão nos Globos de Ouro: os actores estiveram de luto ou em luta?

Na primeira grande cerimónia de entrega de prémios em Hollywood depois do escândalo de Weinstein, as actrizes pisaram a passadeira num dress code de protesto.

CATARINA LAMELAS MOURA

A 75.ª edição dos Globos de Ouro, este domingo, deu o tiro de partida para a temporada de prémios da televisão e do cinema. Não restam dúvidas quanto à posição das grandes figuras de Hollywood relativamente à forma como as mulheres são tratadas na indústria: foi a primeira grande passadeira vermelha depois do escândalo de assédio sexual que abanou Hollywood, em Outubro, e o preto foi decisivamente a cor da noite. Elas já tinham avisado que seria assim – em jeito de protesto contra tudo aquilo que foi revelado sobre a indústria –, mas a adesão foi quase total. Muitos deles aderiram também, trocando a camisa branca pela preta. Também houve quem decidisse usar outras cores.

Alguns actores, como por exemplo Gary Oldman e Hugh Grant, trouxeram inclusive na lapela o pin da Time’s Up, a organização responsável pelo apagão na passadeira vermelha. Recentemente fundada, a organização é apoiada por mulheres que querem pôr fim às injustiças e desigualdades no local de trabalho. Na passadeira, actrizes como Meryl Streep, Emma Stone, Susan Sarandon e Amy Poehler fizeram-se acompanhar por activistas dos direitos das mulheres – uma ideia liderada por Michelle Williams, segundo confirmou Emma Watson ao canal E!.

“Estou muitíssimo emocionada de estar ao lado desta mulher”, comentou ao mesmo meio Williams, que veio com Tarana Burke, a fundadora do movimento #MeToo – hashtag que milhares de pessoas utilizaram para partilhar as suas experiências de abuso sexual, nas redes sociais. “Pensei que teria de educar a minha filha a aprender a proteger-se a si própria num mundo perigoso e acho que, por causa do trabalho que a Tarana tem feito e o trabalho que estou a aprender a fazer, temos mesmo uma oportunidade de entregar aos nossos filhos um mundo diferente”, comenta.

A antecipação dos Globos de Ouro serviu também para alguma reflexão sobre a forma como é feita a cobertura mediática da passadeira vermelha em Hollywood – concretamente no que toca às mulheres e às suas escolhas de moda. “Agora que Weinstein caiu, o que mais vai desaparecer do circuito de prémios? Será que os vestidos ultra reveladores podem ser apreciados como confecções puramente de moda?”, questiona Jodi Kantor, uma das duas repórteres que escreveram a primeira peça sobre Harvey Weinstein, no New York Times, em Outubro.

A publicação decidiu este ano mudar as regras, descortinando o plano de acção daqui para a frente e estendendo a discussão aos leitores. Para cobrir o evento foi enviada uma equipa que incluia, entre outros, Kantor e o vencedor de um Pulitzer Damon Winter, numa tentativa de elevar a narrativa. Nos comentários, alguns dos leitores sugeriram que fizessem outras perguntas às mulheres, além daquelas relacionadas com os seus vestidos, enquanto outros consideravam melhor que se fizesse apenas a cobertura dos prémios e não da passadeira vermelha, classificando a prática como antiquada e ultrapassada.

“Estes vangloriosos e infantis espectáculos não deveriam ser emitidos de todo. Apesar das boas intenções das actrizes ao usar preto e do novo agregado de comentários de media sérios acerca do assédio, o efeito primário da temporada de prémios vai continuar a reforçar alguns dos piores aspectos da nossa cultura superficial”, escreve uma das leitoras.

Já com alguns anos, o movimento #AskHerMore – que nasceu dos Emmys de 2014 e pretende inspirar as pessoas a apontar o dedo à cobertura mediática sexista – tem ganho ainda mais relevância na era pós-Weinstein. “Quando lançámos #AskHerMore em 2014, não tinha só a ver com a passadeira vermelha, era acerca de como a nossa cultura em geral desvaloriza mulheres e raparigas. Ver todas estas mulheres vestidas de preto, em solidariedade com activistas (…) é um sonho tornado realidade”, escreveu no Twitter Jen Siebel Newsom, CEO e fundadora deste movimento.

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