Relato: como a pornografia hentai e salas de bate-papo inverteram a minha vida sexual
(FTND/Ana Nascimento/Medium)

Relato: como a pornografia hentai e salas de bate-papo inverteram a minha vida sexual

Relato anônimo

“Essa é a minha história. Eu li algumas contribuições aqui e senti que esta era a minha vez de compartilhar também. Se a minha história conseguir ajudar pelo menos uma pessoa por ai a dizer não à pornografia, então isso terá valido a pena para mim. Obrigada pela organização. Estou grata por alguém estar lutando contra essa droga horrível. Para simplificar as coisas: hentais de submissão sexual e jogos de encenação online arruinaram a minha vida sexual.

Começos inocentes
Eu tinha 16 anos quando um admirador secreto online me introduziu no mundo dos animes e alta fantasia. Como uma filha super protegida em um lar conservador, eu instantaneamente me encantei. Eu transmitia anime e me juntei a vários grupos no Google+, a única rede social que ninguém sabia que eu fazia parte. Foi inocente de início, mas conforme minhas conversas com esse rapaz ficavam mais profundas e mais íntimas, assim como a minha atração em trocar fotos e segredos aumentava, meu interesse em coisas relacionadas a anime ficaram mais obscuras.

Eu nunca vou esquecer o primeiro vídeo de hentai que ele me enviou. Como uma menina inocente que raramente via corpos nus, as mulheres exageradamente infantilizadas e homens fortes e confiantes retratados nos desenhos me iludiram de primeira. Eu estava atraída pelas fantasias. Quanto mais eu assistia, quanto mais violentos eu assistia, mais obscuros meus pensamentos sobre sexo e relacionamentos ficaram. BDSM, estupro, abuso, tudo se tornou atraente para mim. Um dia, eu pedi para o menino se ele me amarraria como os meninos dos hentais. Ele me respondeu da maneira mais suja e mais explícita como ele tinha planejado fazer comigo. E foi ai que eu comecei com os jogos de encenação.

Escravizada por um estranho online
Os jogos de encenação me levaram para algo mais sinistro. Depois do rapaz me bloquear aleatoriamente, meu coração partido se virou para outros usuários anônimos flutuando pelos nossos grupos e salas de bate-papo. Desesperada por atenção, desejando aquela linguagem abusiva que me deixava lá em cima, eu conheci um rapaz de 31 anos que me pedia para mandar nudes para ele. Não durou muito até que ele passou a me chantagear e me fez sua escrava online.

Ele me falou que sabia quem eram meus pais e ameaçou publicar as minhas fotos. Eu fiquei aterrorizada e fui facilmente enganada. Ele me forçou a entrar numa video-chamada com ele ordenando que eu fizesse coisas pervertidas para ele e que eu chamasse ele de mestre. Eu odiava isso. Mas isso me excitava e eu odiava ainda mais. Era nojento que eu, com 17 anos, a escrava sexual solitária e miserável de um homem de sabe-se lá onde. Isso durou 6 meses. Meus pais encontraram hentai no meu computador e bloquearam meu acesso à internet, me cortando inconscientemente para um mundo muito mais assustador do que o que eles encontraram. Por meses, eu me perguntava se meu antigo mestre me acharia e faria comigo as coisas que ele ameaçava fazer; ele nunca o fez.

Um corpo que busca dor
Aos 20, eu conheci e casei com o amor da minha vida, um homem maravilhoso que me tratava como uma princesa ao invés de uma escrava. E como eu o amava muito, e ainda amo seu jeito gentil e silencioso de cuidar de mim e do meu corpo, não é a mesma coisa . Eu não consigo receber prazer sem dor. Eu não consigo dar amor sexual sem ordem. Eu não consigo dar prazer a ele sem força, porque meu corpo é submisso. Meu coração é livre, mas meu corpo é aprisionado.

Amor é gentil; não é abuso. As mentiras que a pornografia e o hentai jogam na gente são claros: inocência é a nova sedução e escravização é o novo sexy. Dói ver meu marido me ver sofrer. Mas ele se recusa a me estuprar, a degradar sua esposa como um animal. Não importa o quanto meu corpo deseje isso.

Eu espero que algum dia isso acabe. Mas as cicatrizes dessa vida secreta online são profundas e eu não sei…talvez elas nunca desapareçam.

-S.”

Por que isso importa
Infelizmente, nós recebemos frequentemente muitas mensagens como essa, de consumidores de pornografia que tiveram seu desejo sexual natural invertidos e se tornaram irreconhecíveis — para além do que eles reconheciam originalmente como normal. E enquanto vários indivíduos desejam sexo mais violento em relações adultas consensuais, nós sabemos que esses desejo às vezes vem de lugares como passados abusivos ou expectativas sexuais nada saudáveis. A ciência tem mostrado que assistir pornô muda o gosto sexual dos consumidores. Se um consumidor de pornografia assiste à pornôs que são violentos constantemente, cheio de fetiches exagerados, degradantes ou cada vez mais incomum, eles estão, na realidade, condicionando seu cérebro a ser estimulado com esse tipo de comportamento; mesmo que mostre coisas que originalmente eles achavam nojento, desconfortável ou inaceitável. E pela pornografia ser um comportamento gradual, o consumidor inevitavelmente acaba assistindo pornôs cada vez mais violentos só porque eles precisam assistir mais coisas violentas para ter a mesma excitação que tiveram no início.

Num esforço para conseguir esse pico de dopamina no cérebro que eles mesmos condicionaram para desejar, os consumidores começam a acessar lugares cada vez mais obscuros e degradantes da internet; é a única maneira real de conseguirem satisfação. Imagine o espanto de um consumidor de pornografia quando eles tem contato pela primeira vez com esses tipos de pornografia abusiva e então começam a procurar especificamente por esses conteúdos, mesmo quando eles não se sentem confortáveis. Conforme o tempo passa, o gosto sexual desses indivíduos começam a mudar e eles começam a associar prazer sexual com abuso ou gostos sexuais violentos.

Se acreditarmos nas pesquisas que nos evidenciam sobre o nosso cérebro neuroplástico e como ele pode ser condicionado através das experiências, nós podemos perceber que o cérebro pode ser estimulado a querer algo que o consumidor não queria antes. E é nesse momento que as coisas começam a ficar muito confusas e bem nocivas, tanto no que diz respeito à saúde sexual quanto a saúde emocional desses indivíduos.

É claro que os efeitos da pornografia na saúde sexual se tornam cada vez mais perigosas, quanto mais uma pessoa procura por ela. Logo, independente da opinião das pessoas, os fatos permanecem os mesmos: pornografia é prejudicial e pesquisas têm provado isso.

Texto original: FTND / Traduzido por Ana Nascimento

>Ver artigo original.

Facebooktwittergoogle_plusredditpinterestlinkedinmail

Comentarios:

AlphaOmega Captcha Classica  –  Enter Security Code
     
 

*