J – 27 anos – homem

Eu sempre desvalorizei a minha história de abuso porque nunca achei que fosse algo muito traumático. E quando comecei ir aos grupos de apoio fui sempre muito céptico, especialmente porque eu não acreditava que o que me tinha acontecido era realmente abuso.

Quando comecei a ouvir as histórias dos outros homens e ouvi casos de violação eu quis ir embora porque eu não tinha sido violado, eu tinha sido “apenas” abusado sexualmente pelo meu irmão e achava que não merecia estar naquela sala. Eu pensava que eu era intruso e que um dia iam perceber que eu não merecia estar ali junto dos outros homens.

Mas aos poucos fui vendo que apesar das diferentes histórias a forma como cada um sofria e as coisas que passávamos eram todas muito parecidas. As questões de vergonha e da culpa que todos sentíamos eram demasiado semelhantes para que o meu abuso não fosse um abuso real.

Foi através do grupo de apoio que comecei a compreender o que realmente me aconteceu e o impacto que isso teve na minha vida. Aos poucos a minha postura mudou muito, passei de “eu não mereço estar aqui porque o abuso não me afectou assim tanto” para reconhecer que o que o meu irmão me fez foi errado e ultrapassar a vergonha e a culpa que sentia, mas que nunca quis mostrar aos outros que sentia.

>Ver original – Quebrar o Silêncio‏

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